Plano da Fox de comprar a Time Warner visava aumentar participação do grupo na China

Redação Portal IMPRENSA | 21/07/2014 14:30
O plano de Rupert Murdoch de comprar a Time Warner não deu certo em sua primeira tentativa, mas não deve ser abortado. O presidente do Conselho da Twenty-First Century Fox pretende consolidar suas marcas no mercado chinês, que apresenta crescimento rápido num cenário em que as empresas de comunicação possuem dificuldades de desenvolver seus negócios.

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Murdoch quer expandir atuação no mercado chinês comprando a Time Warner

Segundo Reuters, um eventual acordo poderia criar um gigante com mais de 37 bilhões de dólares ao ano em receitas nos Estados Unidos e no Canadá e quase dobraria as receitas que a Fox gera nos mercados emergentes de mídia na América Latina e na Ásia-Pacífico. 

Para o presidente-executivo da Gamco Investors Mario Gabelli, Murdoch quer aproveitar as oportunidades que a região oferece. "Ele vê três bilhões de novos consumidores entrando no mercado e uma classe média em ascensão na China e na Índia, e dispositivos móveis e uma forte demanda por conteúdo", disse ele, que detém ações tanto na Fox quanto na Time Warner.

"Ele será capaz de criar vários 'Netflixes' próprios", completa. No ano passado, a Fox gerou 42% de sua receita fora dos Estados Unidos e do Canadá, sendo que no continente asiático elas cresceram 40%, para 2,1 bilhões de dólares em dois anos. O conjunto de canais por assinatura da Time Warner complementaria a programação da Fox em territórios importantes. 

Na América Latina, por exemplo, a empresa enfrenta grandes concorrentes locais. A solução poderia ser a utilização da unidade Turner da Time Warner, que opera a Chilevisión, uma grande emissora no Chile, e também exibe seu canais e emissoras regionais adaptados aos gostos locais, como a voltada ao público infantil Tooncast.

Apesar dos avanços em diversas regiões do mundo, o grupo de comunicação de Murdoch seria capaz de arrecadar maiores lucros na China. O único entrave fica no controle de conteúdo do governo chinês, que limita a 34 o número total de filmes que companhias estrangeiras podem importar. 

"A China é um grande mercado e há anos todos nós desejamos estar lá", disse o ex-presidente da Viacom, Frank Biondi, um dos primeiro executivos norte-americanos de mídia a visitar o país. "Mas mesmo com todos os lados bons, ainda há o óbvio contratempo de que o governo controla tudo — o que é colocado nos cinemas, o que é exibido na TV".

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