Procurador acusa ex-chefes do "News of the World" de envolvimento com escutas ilegais

Redação Portal IMPRENSA | 31/10/2013 10:00

Na última quarta-feira (30/10), o Ministério Público britânico apontou que os ex-chefes do The News of The World estavam cientes das escutas ilegais praticadas por jornalistas do tabloide, pertencente ao grupo de Rupert Murdoch. O julgamento poderá levar seis meses para ser finalizado.


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Procurador alegou no julgamento que chefes do jornal sabiam do esquema ilegal

"A questão é bastante simples: foram praticadas escutas ilegais. Quem sabia disso?", disse o promotor Andrew Edis. "Vocês devem se perguntar se essas pessoas [os chefes do jornal] fizeram um bom trabalho. Se este for o caso, eles deveriam saber de onde chegava seu dinheiro, onde nasciam suas reportagens", acrescentou.


De acordo com a AFP, o promotor revelou que três jornalistas do News of the World já tinham se declarado culpados pelas escutas telefônicas ilegais. A declaração pode enfraquecer a posição dos oito principais acusados que alegam inocência. Entre eles, Rebekah Brooks e Andy Coulson, dois ex-editores do jornal e ligados ao primeiro-ministro David Cameron.


Após dois anos de investigações, que levaram a dezenas de prisões, eles foram acusados de grampear o telefone de mais de 600 pessoas e de subornar funcionários e políticos para obter informações. Rebekah também é processada por obstrução da justiça. Ela teria queimado registros comprometedores no fechamento do jornal.


"Os jornalistas não têm mais direito de violar a lei do que qualquer outra pessoa", disse o procurador, destacando que "nada justifica" o fato de funcionários de um jornal terem recorrido a escutas ou chantagens. Ele disse ainda que o investigador particular Glenn Mulcaire, que revelou ter grampeado vários telefones em 2006, chegou a receber até 100.000 libras (116.000 euros) por ano do News of The World.


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