35 anos de Roda Viva: Leão Serva e Vera Magalhães celebram sucesso do programa

Denise Alves | 24/09/2021 10:19
Os últimos 35 anos foram transformadores na história da humanidade. Tudo mudou, o jornalismo, inclusive. A tecnologia trouxe grandes desafios para a profissão, e nessa 'prova de fogo', o Roda Viva, que comemora 35 anos no ar neste mês, passou com excelência.

Em um papo exclusivo com o Portal IMPRENSA, o diretor de Jornalismo da TV Cultura, Leão Serva, e a apresentadora Vera Magalhães, que assumiu a atração em dezembro de 2019, comentaram os desafios de se manter sempre atual e relevante, e citaram algumas das principais entrevistas entre as mais de 2 mil personalidades que já estiveram sob os olhos da bancada.

Confira!
Crédito:Divulgação
Vera Magalhães
Vera Magalhães está à frente do Roda Viva desde 2019
Portal IMPRENSA - Como se manter relevante depois de 35 anos no ar?

Leão Serva - O RODA VIVA tem se mantido relevante ao longo das décadas graças a sua fórmula simpática que funciona como uma entrevista coletiva, em que os temas rodam com velocidade, criando um programa que pode ser muito dinâmico.

Nos últimos anos, o público parece ter reconhecido o esforço da atual equipe em aumentar o calor jornalístico, o que explica seu crescimento de audiência e repercussão nos tempos recentes. Além disso, o programa como o jornalismo não pode se ater a uma plataforma apenas. O Roda tem sido muito bem recebido pelos usuários das novas mídias, o que revigorou sua relação com a opinião pública, nas múltiplas telas.

PI - O Roda Viva tem em seu histórico uma gama de convidados que marcaram o país e o mundo. Quais as maiores entrevistas na história do programa?

LS - Muito difícil dizer, principalmente porque a fórmula de sucesso do programa é exatamente poder promover uma entrevista com o político “da hora” e, em seguida um artista, um intelectual internacional, o autor de um best-seller de ficção e em seguida um ministro.

Essa multiplicidade deixa mais difícil julgar quem foi a melhor ou maior. Posso dizer que Fernando Henrique Cardoso foi a pessoa mais vezes entrevistada na história do programa e, nos últimos anos, a maior audiência é do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, os dois dados relevantes para avaliar suas entrevistas. Mas há muitas entrevistas bastante relevantes.

O livro comemorativo dos 35 anos destaca cerca de 200 entrevistados. E eu pessoalmente considero histórica as recentes entrevistas de Chimamanda Ngozi Adichie e Ailton Krenak.

PI - Quais os planos para os próximos anos?

LS - Seguir na Roda Viva, garantindo que o programa seja sempre relevante.

PI - Nesses 35 anos, muita coisa mudou - desde a internet até a forma como as pessoas se comunicam. Foi difícil acompanhar essas transformações para manter o programa sempre atual?

LS - Estamos aqui há apenas dois anos, mas eu pessoalmente participo do programa desde logo depois de sua estreia. E lembro bem como as coisas mudaram. Basta ver que antigamente fumavam no estúdio, entrevistadores e entrevistados; havia uma bancada que atendia os telefones com perguntas de espectadores - hoje isso pode ser feito pelas redes sociais.

PI - Existe uma preocupação quanto a pluralidade da bancada de jornalistas?

LS - Sim, existe uma preocupação de ter bancadas mais diversas sempre. E também de manter a diversidade entre os entrevistados. Tivemos bons avanços nesse sentido.

PI - Vera, você já tinha uma carreira consolidada no jornalismo político ao assumir a bancada do Roda Viva. Qual o tamanho desse desafio na sua carreira?

Vera Magalhães - Sim, já tinha sido editora, editora-executiva, colunista, comentarista de rádio e atuado na última temporada do programa Meninas do Jô. Mas ser convidada para assumir o comando do Roda Viva foi uma honra que eu não vislumbrava alcançar naquele momento, mesmo porque a Daniela Lima havia assumido havia pouco tempo, e estava fazendo um trabalho excepcional.

Então foi algo que abracei na hora, nem pensei duas vezes, porque sabia que seria um desafio único para a minha carreira estar à frente do programa de entrevistas mais importante da TV brasileira. E assim tem sido. É certamente a coroação dos meus quase 30 anos de carreira como jornalista.

PI - Você é duramente criticada nas redes sociais por alguns comentários e posturas durante o programa. Como encara esses episódios? Já mudou de opinião sobre algo dito no programa após ouvi-las?

VM - Sou duramente atacada nas redes por tudo que faço. O Roda só intensificou esses ataques, que partem na maior parte das vezes de partidários desse ou daquele político, desse ou daquele partido. Quando as críticas são relevantes procuro responder e ponderar. Quando são ataques e tentativas de cancelamento aprendi que o melhor é não amplificar.

No caso do Roda, o reconhecimento ao trabalho que vem sendo feito nas minhas duas temporadas é infinitamente maior que os ataques. Ele vem das fontes, dos colegas, das colunas respeitadas que cobrem televisão e da parte de formadores de opinião que têm percebido e reconhecido a volta da relevância do Roda Viva no debate público brasileiro, a maior pluralidade de vozes e a ênfase em representatividade que promovemos tanto no centro da Roda quanto na bancada.

PI - Qual a entrevista mais marcante desde que assumiu o programa? E qual a mais difícil?

VM - A mais difícil certamente foi a estreia. Por ser algo absolutamente novo para mim, pela polêmica que sempre cerca o entrevistado, que era o ex-ministro Sergio Moro, porque Jair Bolsonaro tentou impedi-lo de ir. Mas foi excelente: entrevista duríssima com uma bancada composta por alguns dos principais jornalistas do país, repercussão imensa, audiência recorde, crítica favorável nas colunas e silêncio dos haters que apostavam que seria uma conversa “chapa branca”, algo que nunca existiu na minha gestão quando entrevistados são políticos.

Mais marcantes foram várias, mas a que me deixou com gostinho de dever e desejo alcançando foi com a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, porque foi negociada por mais de um ano, trata-se de uma das principais intelectuais feministas do mundo e foi uma conversa inspiradora, com uma bancada de mulheres igualmente fantásticas, como a escritora Djamila Ribeiro. Foi um dia de consagração.

Para comemorar o aniversário, a TV Cultura preparou uma série de ações nos próximos dias. Entre elas está o lançamento de um livro com fotos e os principais momentos jornalísticos do programa. Em cada trecho de entrevista, um QR Code levará o leitor para o site do Roda Viva, onde estarão disponíveis todas as edições.

Na segunda-feira (27), o programa recebe o ex-presidente Michel Temer em uma edição especial.

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