Brasil: Conteúdo sobre política é a maior fonte de desinformação no Facebook

Redação Portal IMPRENSA | 10/11/2021 09:33
Dados presentes em relatórios internos do Facebook apontam que pela percepção dos próprios usuários, os conteúdos políticos são os maiores vetores de desinformação no Brasil. 

A conclusão está nos chamados 'Facebook Papers', documentos vazados para um consórcio internacional de veículos que inclui o Estadão, no Brasil, New York Times, Washington Post, Guardian e Le Monde. As informações foram fornecidas ao Congresso dos Estados Unidos por uma ex-funcionária, Frances Haugen, e divulgada à Securities and Exchange Commission (SEC), que regula empresas que atuam na bolsa no país. 
Crédito:Reprodução
Facebook Papers foram vazados para um consórcio internacional de imprensa
O objetivo do painel interno, publicado em julho de 2020, era identificar as experiências negativas de usuários na Colômbia, Indonésia, Índia, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. 

Ao menos 60% dos brasileiros apontaram os conteúdos de política como vetores de desinformação. Não há uma definição clara sobre o que seria "mensagem política", mas segundo o jornal, é possível entender, pelo contexto, que trata-se de mensagens divulgadas por políticos e apoiadores. 

O percentual no Brasil é o maior, disparado, se comparado aos outros países. Nos EUA, o índice ficou em 30%, por exemplo, e na Índia, onde o Facebook possui uma grande atuação, em 46%. A Colômbia (66%) é o único país que nos ultrapassa nesse quesito. 

A segunda maior marca de alcance em desinformação cívica provém de artigos em sites (59%). Abaixo estão as piadas (42%), publicidade (32%), contas falsas (25%), fraudes (23%) e mensagens de spam (20%). Na categoria piadas, acredita-se que estejam se referindo a memes. 

Não se sabe quantos dos 5 mil brasileiros que estão no Facebook responderam às pesquisas, que foram além da política e da democracia. Esses outros resultados, porém, não foram publicados pelo que o Facebook chamou de erro no sistema de questionários. 

Há informações, no entanto, sobre as outras empresas do grupo. No Brasil, número de desinformação via artigos em sites se destaca: 60% entre tudo que é compartilhado no Whatsapp. Em segundo lugar estão as mensagens políticas (50%), publicidade (49%) - tópico que não foi explicado, e pode se referir a mensagens de divulgação e encaminhamentos. 

Mensagens políticas também lideram o uso do Facebook Messenger (49%), assim como no Instagram, que conta com mensagens políticas (50%) e artigos em sites (59%) no topo. 

A pesquisa chegou questionar os usuários sobre as suas percepções em relação ao Twitter, e quase 70% deles responderam que a política também sustenta a desinformação na plataforma. Na última semana, o Twitter divulgou uma pesquisa que relatou uma tendência nos algorítmos para impulsionamento de contéudos da extrema direita. Procurada pelo Estadão, o Twitter não comentou. 

Ao jornal, o Facebook afirmou que "Os resultados desta pesquisa não medem a prevalência ou a quantidade de um determinado tipo de conteúdo nos nossos serviços. A pesquisa mostra a percepção das pessoas sobre o conteúdo que elas veem nas nossas plataformas. Essas percepções são importantes, mas dependem de uma série de fatores, incluindo o contexto cultural. Divulgamos trimestralmente a prevalência de materiais que violam nossas políticas e estamos sempre buscando identificar e remover mais conteúdos violadores."

"A premissa central nestas histórias é falsa. Sim, somos um negócio e temos lucro. Mas a ideia de que lucramos às custas do bem-estar e da segurança das pessoas não compreende onde residem nossos próprios interesses comerciais", diz o posicionamento sobre os vazamentos. 

Na contramão das denúncias de que sacrificou a segurança pelo lucro, a empresa diz que deve investir "mais de 5 bilhões de dólares em segurança e integridade, mais do que qualquer empresa do setor de tecnologia". 

Leia também: