Jornalistas esportivos debatem a preparação e realização dos Jogos Olímpicos no Brasil

Thaís Naldoni e Alexandre Veloso | 18/07/2016 17:30
Desde 2009, quando foi escolhido como país-sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, o Brasil entrou em contagem regressiva. Em pouco menos de sete anos, seriam realizados em solo nacional dois eventos esportivos de alcance mundial: a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, dois anos depois.

O peso não é pequeno. O atraso nas obras, bem como a demora em começar a fazer muito do que foi prometido no caderno de candidatura, como a despoluição da Baía de Guanabara, fez cair por terra os argumentos da eficiência e da esperança de um “legado” efetivo. No entanto, como na Copa do Mundo todos os problemas foram solucionados a tempo, a expectativa, pelo menos dos jornalistas ouvidos pela reportagem, é a mesma: estão confiantes no sucesso, ainda que ele seja restrito aos limites das instalações olímpicas.

Neste especial, IMPRENSA convidou cinco jornalistas, todos especializados em cobertura esportiva, para debater os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos do Rio de Janeiro desde a escolha da cidade para os Jogos passando pelas obras até a preparação dos atletas e a postura da mídia. Além disso, os convidados comentaram uma pesquisa exclusiva de IMPRENSA, feita em parceria com a PR Newswire, que mostra a presença e o destaque na mídia de atletas, modalidades e marcas, bem como os temas mais citados em relação ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e à infraestrutura no período de 1º/7/2015 a 31/3/2016, no que diz respeito aos Jogos.

Crédito:Maíra Rossetti
Paulo Conde, Nathalia Garcia, Luiz Antônio Prósperi, Everaldo Marques e Gustavo Franceschini
Fizeram parte do nosso “time de comentaristas” Everaldo Marques (ESPN), Gustavo Franceschini (UOL), Luiz Antônio Prósperi (Blog do Prósperi), Nathalia Garcia (O Estado de S. Paulo) e Paulo Conde (Folha de S.Paulo).

Para eles, falta ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) um “mote” que faça com que, de alguma maneira, os Jogo tenham um propósito para o país, que não sejam simples mente a realização das competições por si só. “A Austrália usou os Jogos como um apelo (o mote era ‘Venham mora aqui’), pois o país precisava ser povoado. Seul fez um propaganda de seu modo de viver (‘Olhe como somo eficientes’)”, explica Everaldo Marques.

Mais do que isso, para os jornalistas, pela primeira vez o esporte nacional sofrerá severas cobranças – afinal, o espectadores vão querer ver os atletas brasileiros ganha rem medalhas, e os patrocinadores, que investiram muito em cada um, esperam ver o bom desempenho do esportistas. A imprensa deve ter cuidado ao fazer cobranças para não demonizar bons resultados que não signifiquem pódio. “Acho que esse é o ponto, a gente dosar. O bom resultado não é, necessariamente, um medalha”, finaliza Nathalia. Veja a íntegra do bate-papo.

CANDIDATURA E ORGANIZAÇÃO

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI - Quando foi decidido que o Rio de Janeiro seria a sede da Olimpíada, a discussão no jornal (O Estado de S. Paulo) era a mesma da Copa do Mundo. Achamos que, teoricamente, seria mais fácil por serem todas as atividades em uma cidade só. Sabíamos que haveria problemas de obras, superfaturamento, a discussão era a mesma. No final, na Copa, as coisas funcionaram. Bem ou mal, os aeroportos e os estádios ficaram prontos e, do ponto de vista de organização, espetáculo e jogo, foi um sucesso. Quando nós vimos que a Copa aconteceu, percebemos que não seria um grande sacrifício fazer os Jogos Olímpicos. O país estava em um momento bom, com muito investimento de fora vindo para cá. Depois, com a crise, com a questão política, a gente ficou um pouco mais em dúvida, mas, em um primeiro momento, não vi grandes problemas para a gente fazer o evento.

EVERALDO MARQUES - Eu acho que a gente não vai ter problemas nas instalações. Os ginásios, os campos, as quadras e as piscinas vão ficar prontos. A parte de infraestrutura, que é o tal do legado, essa vai falhar, como já falhou a despoluição de 80% da Baía de Guanabara, que prometiam no caderno da candidatura. Isso já não vai rolar. Existe uma corrida contra o tempo para o metrô ficar pronto e isso é importante, porque, se por um lado, é mais fácil fazer os Jogos Olímpicos do que a Copa por haver uma sede só, por outro lado, vai haver milhares de pessoas se deslocando entre as instalações. Em Londres, as coisas funcionaram porque existe uma estação de metrô em cada esquina. Ainda assim, eles fizeram restrições ao tráfego de carros para abrir mais espaço. Não foi simplesmente deixar rolar o dia a dia.

PAULO CONDE - Eles também fizeram uma campanha grande para as pessoas andarem muito a pé e evitarem o transporte de massa.

MARQUES - Na frente do estádio olímpico de Londres, existe uma estação de metrô que não funcionou durante os Jogos para obrigar as pessoas a chegar ao estádio a pé e desafogar o entorno.

GUSTAVO FRANCESCHINI - A geografia do Rio é muito complicada. Para passar da zona sul para a Barra, que é onde vai acontecer grande parte das competições, é muito difícil. Fazer isso de carro, mesmo no dia a dia, é difícil. Mesmo na época da Copa, a impressão que eu tive foi que as coisas que precisam “subir concreto” vão acontecer. O problema é o custo disso, pois, depois que a obra está pronta, sempre aparece um monte de irregularidades. O problema é que o Rio se viu ante problemas que não se resolvem em cima da hora. A lagoa, por exemplo, não se despolui com dinheiro, o processo leva tempo. Se você não se programa para fazer as coisas, não adianta dobrar turno de operário e despejar dinheiro. Eu acho que esse vai ser o maior problema de organização do Rio.

PRÓSPERI - Quem mais errou foi quem prometeu que ia despoluir, porque não havia um tempo muito longo entre 2009 e 2016. A promessa foi absurda.

FRANCESCHINI - Todo o projeto olímpico de 2009 é um problema, tem muitas mudanças em relação ao projeto inicial. A previsão de gastos aumentou, eles fizeram uma remodelagem para colocar o porto no sistema. É um projeto bem diferente do apresentado em 2009.

NATHALIA GARCIA - A Olimpíada chegou como uma força que serviria de impulso para resolver muitos problemas do Rio, como a despoluição da baía. Seria uma oportunidade ideal para solucionar o problema.

PRÓSPERI - Eduardo Paes fez uma exposição, quando eles foram vender a candidatura, de todos os problemas da cidade: poluição, trânsito, mobilidade urbana. Ele queria aproveitar essa oportunidade para melhorar a cidade. Ele apresentou um vídeo de como ele queria deixar o Rio depois dos Jogos. A promessa que foi feita foi muito ambiciosa.

MARQUES - Quem for acompanhar a Olimpíada pela televisão não vai ver problema. Vai rolar a maquiagem, mas as quadras, os campos as pistas vão estar em boas condições. Do ponto de vista esportivo, as instalações são boas e têm sido elogiadas. Mas contingenciar os milhares de pessoas vai ser difícil e o legado vai ficar muito abaixo do que foi divulgado. O trem-bala não rolou. Mesmo as promessas da Copa relativas à mobilidade não foram cumpridas.

PRÓSPERI - Outra coisa que se discutiu pouco foi a questão da hospedagem. Na Copa, havia 12 sedes; agora todo o mundo vai se concentrar no Rio. A questão da hospedagem está pouco discutida e eu acho que vai haver problema.

MARQUES - Eric Beting me contou que tinha programado uma hospedagem para a Olimpíada e que o dono do estabelecimento, quando se deu conta de que a reserva coincidia com o período dos Jogos, voltou atrás e corrigiu o preço. Na ESPN, nós estamos com hotel reservado, mas quem vai ficar na Barra vai se hospedar em um hotel que ainda está sendo construído. Cruzemos os dedos. A organização passa para você uma lista de hotéis e você se vira. Não se pode escolher o hotel. Mesmo que chegue ao hotel com dinheiro para pagar, a pessoa vai ser orientada a ir até a organização. Se nós, que vamos transmitir o evento, estamos com dificuldade de arranjar acomodação, imagine o público, que vai só para se divertir.

MOTE OLÍMPICO

CONDE - Eu acho que, em uma Olimpíada, há dois mundos: o do COI e o do país. A parte de instalações é boa, porque a organização acaba fazendo acontecer. Se aconteceu em Atenas, com um poder econômico muito menor do que o do Brasil, vai acontecer aqui. O problema é o que fica depois. O Canadá demorou cerca de trinta anos para pagar a conta dos Jogos. A operação acaba se realizando, mas existe o outro lado, que tem de ser visto. Em relação à imagem do Brasil, acho que sai chamuscada, não tem muito jeito. Mas nem sempre isso é definitivo. Nos Jogos de Pequim, a situação era desesperadora por causa da poluição. Havia a expectativa de que pessoas morressem por causa disso, além das manifestações pela liberdade de imprensa e outras coisas. Durante os Jogos, as coisas se apagam. O importante é saber o que fica depois. Alguns países conseguem transformar os Jogos num catalisador para o desenvolvimento. Austrália e Barcelona conseguiram isso.

MARQUES - A Austrália usou a propaganda ‘Venham morar aqui’. Eles precisavam povoar o país. Seul foi uma projeção da imagem do país: ‘Olhe como somos eficientes’. A cidade bancou os Jogos para mostrar essa imagem. A visão preponderante era a de que o japonês era bom e o resto da Ásia não, então o mote serviu de propaganda para o país.

FRANCESCHINI - No Brasil eu sinto falta desse mote. Da Copa do Mundo, até fica o legado de imagem positiva, porque as coisas deram certo dentro do possível, mas não há uma narrativa institucional sendo construída pelo governo brasileiro. O que a gente quer mostrar nos Jogos? E isso não é um efeito da crise e da troca do governo. Isso poderia ter sido criado muito tempo atrás. Não há eficiência porque não entregamos o que prometemos. Não vamos fazer nada luxuoso, porque um dos objetivos da comunicação da Rio 2016 é cortar o supérfluo. A gente vai apresentar o quê?

MARQUES - A impressão que eu tenho é que o resto do Brasil não abraçou os Jogos ainda. 

PRÓSPERI - Até a Copa começar, foi a mesma coisa. As manchetes eram ‘Não vai ter Copa’, ‘A Copa do problema’, coisas desse tipo. Essa imagem ficou ruim e o governo não soube trabalhar, até porque Dilma era vaiada aonde quer que ela fosse. Ficou difícil pegar essa imagem e vendê-la na Olimpíada.

COPA DO MUNDO VERSUS OLIMPÍADA

CONDE - A gente compara a Copa e a Olimpíada como se fossem semelhantes, mas elas não o são. A Olimpíada tem de repetir a abrangência da Copa, mas o seu perfil é diferente. Ela reproduz o COI, que é conservador e eurocentrista. A Copa é mais abrangente. Na Olimpíada, existem vinte países que brigam por medalhas. É um evento local, que acontece em um lugar. Em Londres, também não houve isso de o londrino abraçar a Olimpíada. Muito pelo contrário.

PRÓSPERI - Londres se esvaziou, os próprios londrinos caíram fora.

FRANCESCHINI - Nesse ponto, no Brasil é ainda mais séria a questão. Quando as seleções pisaram no Brasil [na Copa], “virou a chavinha”, ninguém mais reclamava, porque o povo consome futebol, mas o brasileiro consome muito pouco esporte olímpico. Nos esportes olímpicos, você precisa de um estímulo e eu acho que um dos erros graves é o governo não ter estimulado essa cultura esportiva. Fizeram uma pesquisa que mostrou que, de cada dez pessoas, só duas sabiam dizer de cabeça o nome de um atleta olímpico. Elas não lembravam um único nome. O dado é alarmante.

MARQUES - A gente tem a impressão de que o brasileiro gosta mesmo é de futebol. Com os outros esportes ele tem outra relação: só gosta de torcer quando tem chance de ganhar. A Fórmula 1 foi popular nos anos 1980 porque, em cada três corridas, o Brasil ganhava uma. O vôlei ficou popular depois de ganhar em 1992 e é considerado o principal esporte coletivo olímpico do Brasil. Como narradores, temos dois papéis durante os Jogos. Para o espectador que vai ver de tudo por curiosidade nós temos de explicar o básico; para aquele que gosta de alguma modalidade pouco usual nós temos de estar preparados. A esgrima, por exemplo, não é uma luta, é um jogo – e o comentarista tem de estar familiarizado com os termos.

NATHALIA - Acho que a tentativa do comitê de nacionalizar os Jogos é um pouco como a tocha olímpica agora. É preciso tentar resgatar esse sentimento de festa.

JORNALISTAS E A TOCHA

PRÓSPERI - Eu fui convidado para carregar a tocha. Não queria ir, não, mas a família pressionou e eu
aceitei.

MARQUES - Acho que, quando é um jornalista que tem ligação com o esporte, não existe nenhum problema.

PRÓSPERI - Se for só para fazer propaganda para a tocha, não acho interessante, mas, se for para homenagear gente que dedicou a vida ao esporte, acho legal.

FRANCESCHINI - Está muito inchado esse revezamento, são 12 mil pessoas.

PRÓSPERI - É o que a Nathalia disse, é uma tentativa de fazer uma festa. Quando você é convidado, tem que ir por conta própria para o lugar a que você foi convidado. São Paulo, por exemplo, estava lotada.

PESQUISA IMPRENSA - PR NEWSWIRE

IMPRENSA – NA PESQUISA, NEYMAR APARECE COMO O ATLETA OLÍMPICO MAIS CITADO PELA MÍDIA, QUANDO CRUZADOS OS TERMOS NOME DO ATLETA E JOGOS OLÍMPICOS. COMO VOCÊS AVALIAM ISSO?

FRACESCHINI - Eu acho natural que um atleta de futebol seja o mais citado. A maneira como nossa imprensa se organiza torna isso normal, mesmo que nossa seleção olímpica não seja o foco.

MARQUES - O futebol não tem destaque porque a Fifa não libera todos os jogadores para o torneio de futebol. Se os liberasse, o evento ganharia outra dimensão.

IMPRENSA – VOCÊS SENTIRAM FALTA DE ALGUM ATLETA NAS DEZ PRIMEIRAS POSIÇÕES?

MARQUES - Senti falta de alguém do basquete. Os caras do basquete e do tênis que vão vir são os mais famosos. Tirando o Bolt, as pessoas vão reconhecer Nadal, Djokovic e Ginóbili.

IMPRENSA – NOS ESPORTES, TEMOS O LEVANTAMENTO DE MODALIDADE: FUTEBOL, ATLETISMO, VÔLEI, BASQUETE, TÊNIS, VELA, JUDÔ, VÔLEI DE PRAIA, BOXE E HANDEBOL SÃO OS DEZ MAIS CITADOS NA PESQUISA. CHAMOU MUITO A ATENÇÃO O ATLETISMO SER O
SEGUNDO...

CONDE - Eu chutaria que é o fator Bolt. Ele é o único atleta olímpico de que vamos registrar tudo. Há o Phelps também, mas ele ficou fora da mídia por muito tempo.

FRANCESCHINI - Impressiona a baixa posição do judô, porque ele é o esporte que mais traz medalhas.

MARQUES - Os cinco esportes mais atrativos para o povo brasileiro, na minha opinião, tirando o futebol, são atletismo, natação, judô, ginástica e vôlei.

PRÓSPERI - É por aí. A vela também, pois tem tradição de ganhar muitas medalhas.

FRANCESCHINI - Vai haver um potencial para canoagem por causa do Isaquias.

COBERTURA E PRESSÃO POR DESEMPENHO

CONDE - Esta é a primeira Olimpíada com cobertura maciça que vai ter tantas horas de transmissão para o brasileiro.

FRANCESCHINI - Vai ser a primeira vez que vai haver pressão por resultados, por causa do investimento. As redes sociais vão cobrar, a gente vai cobrar, todos vão cobrar. Vamos ver como os atletas vão reagir a essa pressão.

MARQUES - Existe outra pressão ainda mais palpável, que é a das pessoas. Por exemplo, amigos que pedem ingressos para assistir às provas. Coisas desse tipo podem tirar o foco dos atletas.

PRÓSPERI - Além da mídia e dos familiares, há os patrocinadores, que vão querer explorar ao máximo os atletas. A experiência da Copa foi assim. A CBF queria fazer de uma forma, mas os patrocinadores fizeram exigências. 

NATHALIA - É um momento difícil, porque, ao mesmo tempo que vai ter a maior exposição, o atleta precisa manter a concentração.

FRACESCHINI - Aqui no Brasil os atletas estão sendo mais conservadores, eles estão se fechando mais do que a média. É uma estratégia.

MARQUES - Sobre a cobrança de resultado, o engraçado é como nós vamos encontrar a medida para saber o que é um bom resultado e o que não é. Se o atleta estabelece a melhor marca da vida dele, mesmo não ganhando uma medalha, você vai dizer que ele foi mal?

NATHALIA - Acho que esse é o ponto, a gente precisa dosar as críticas. O bom resultado não é necessariamente uma medalha.

CONDE - Para o público, isso é difícil, porque esse é o parâmetro dele. A tendência é a demonização caso não haja medalha, mas nosso papel é separar o joio do trigo. O Isaquias [Isaquias Queiroz, esperança de medalha na canoagem], por exemplo, nunca foi para Olimpíada nenhuma. Se não ganhar medalha, não será desastre nenhum.

MARQUES - Isso está um pouco nas nossas mãos, porque nós somos formadores de opinião. A boa medida é essa.

FRANCESCHINI - O melhor exemplo disso é o da Fabiana Murer, que muita gente criticou porque foi prata no Pan. Ela fez a melhor marca da carreira dela e disputava com a melhor do mundo. Aquele resultado foi bom e, naquele caso, a imprensa cobriu bem.

HISTÓRIAS OLÍMPICAS

PRÓSPERI - Há uma discussão que pouco se faz, que é a da trajetória de vida dos atletas para chegar até ali, mas é preciso ter cuidado para não fazer uma abordagem piegas, contar só aquelas histórias de “coitadinho”. 

CONDE - Um ponto legal é que esta vai ser a primeira geração de Olimpíada que não vai ter coitadinho na delegação, porque se injetou muito dinheiro. Eles ganharam ou uma bolsa pódio de R$ 15 mil ou uma bolsa atleta que supera os R$ 4 mil. Mesmo o Isaquias, que tem uma história de vida dramática, ele recebeu dinheiro para participar desse ciclo olímpico.

FRANCESCHINI - O esporte é o espelho do que está acontecendo fora dele. A questão dos refugiados, por exemplo, assim como o tema da depressão entre os atletas e o da homofobia, esses assuntos se refletem no esporte

PARAOLIMPÍADA

CONDE - Vai acabar acontecendo também, porque não é preciso transformar tudo. Por exemplo, no aeroporto, coloca-se um finger e funciona. Mas, se o atleta quiser dar uma volta no Rio de Janeiro sozinho, ele vai ver que a cidade não está preparada. Uma coisa são as instalações olímpicas e outra é a acessibilidade na cidade: quem for passear na Lapa de cadeira de rodas vai enfrentar problemas.

IMPRENSA – A VENDA DOS INGRESSOS TAMBÉM ESTÁ BEM BAIXA...

MARQUES - Eu acho normal, porque, se as pessoas mal acompanham os esportes olímpicos, imagine os paraolímpicos. Ainda existe a questão da nomenclatura das modalidades, que dificulta a divulgação. Acho que o primeiro objetivo das pessoas é conseguir o ingresso para a Olimpíada e, se não conseguirem, elas vão procurar o ingresso para a Paraolimpíada.

PRÓSPERI - A cobertura da Paraolimpíada é bem complicada porque não há um jornal ou revista especializada. Ninguém acompanha essas modalidades, o público em geral jamais vai pensar nisso.

MARQUES - Tem aumentado a publicidade, mas é difícil. Além de tudo, é desleal, porque se compete com o maior evento do mundo duas semanas depois.

FRANCESCHINI - Há a questão interna dos atletas, que buscam meios de comunicar o movimento paraolímpico. É um evento com muita competitividade, em que o desempenho é alto. Temos o caso do Pistorius [atleta que corre com próteses e disputou competições com atletas sem deficiência]. No Brasil, daria para explorar melhor porque o país é muito bom em esportes paraolímpicos. Mas, se a gente não consegue emplacar nem o esporte olímpico, quanto mais o paraolímpico.

MARQUES - Também existe a questão de a gente não saber se portar com os deficientes, não só como jornalistas, mas como pessoas. Se a gente não sabe se comportar como pessoa, imagine como repórter.

CONDE - Os ingressos são baratos. Acho que, com a chegada dos Jogos Olímpicos, as pessoas vão ver que a história está acontecendo perto delas e a procura vai aumentar.

Everaldo Marques
Começou a carreira na Rádio Jovem Pan, em 1996, onde atuou por oito anos como repórter, produtor e apresentador. Estreou como narrador na TV Cultura em 2005, ano em que também passou pela 105 FM. Está nos canais ESPN desde outubro de 2005 e já narrou mais de trinta modalidades diferentes, participando da cobertura de três Copas do Mundo e de duas Olimpíadas, além de dez temporadas
de NFL e 11 de NBA

Gustavo Franceschini
Trabalha com jornalismo esportivo desde 2006 e já passou por redações como Máquina do Esporte, ESPN Brasil e Abril.com. Atua como repórter no UOL desde 2010, cobriu in loco o Pan de Guadalajara em 2011, os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, a Copa das Confederações em 2013 e a Copa do Mundo em 2014. Hoje desenvolve conteúdos especiais do portal para a cobertura da Rio-2016.

Luiz Antônio Prósperi
Tem no currículo 32 anos de cobertura in loco de sete Copas do Mundo (de 1990 na Itália a 2014 no Brasil), duas Euros (1992 na Suécia e 1996 na Inglaterra), duas Copas das Confederações (2005 na Alemanha e 2009 na África do Sul) e um número sem fim de matérias diárias sobre todos os esportes, em especial sobre os principais fatos do futebol. Exerceu todas as funções que uma redação de jornal possa oferecer a um jornalista: revisor, repórter, repórter especial, chefe de reportagem, articulista e editor de "Esportes" no impresso e, desde 2011, no digital com edição no estadao.esportes e blog. Atualmente mantém o Blog do Prósperi (luizprosperi.wordpress.com).

Nathalia Garcia
Estudou jornalismo na Faculdade Cásper Líbero e começou a carreira no portal do Estadão em 2010. Trabalha como repórter do jornal O Estado de S. Paulo desde 2011 e participou das coberturas dos Jogos Sul-Americanos de Santiago, em 2014, dos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, de competições de tênis, como Copa Davis e Brasil Open, e de outras modalidades.

Paulo Conde
É jornalista do caderno “Esporte” da Folha desde janeiro de 2013. No jornal, também já desempenhou a função de chefe de reportagem. Antes, trabalhou por oito anos no diário esportivo Lance!, onde cobriu os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, a Paraolimpíada de Pequim em 2008, o Mundial de Judô de Paris em 2011 e os Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007, entre outros eventos.