Com equipe robusta, Nexo quer promover o pensamento crítico do leitor

Vanessa Gonçalves | 29/01/2016 16:15
O grande desafio dos meios de comunicação é aprender a lidar com a concorrência das diversas plataformas digitais que estão por aí. Sem temer isso, o Nexo Jornal estreou no fim de novembro de 2015 disposto a utilizar essas diferentes ferramentas para contar histórias sobre variados pontos de vista.

Crédito:Divulgação
Nexo aposta em redação robusta para produzir jornalismo analítico

Porém, o grande desafio deste veículo, já antenado com as mudanças no rumo da comunicação, está em promover o pensamento crítico do leitor, fugindo do jornalismo opinativo e apostando todas as suas fichas em reportagens que aproximem o público dos fatos com os dados e as informações necessárias para que ele próprio possa formular sua opinião sobre o que está rolando no Brasil e no mundo.

A parceria do jornalista Conrado Corsalette com a cientista social Paula Miraglia e a engenheira Renata Rizzi traz aos meios de comunicação um veículo que não quer ter o rabo preso com nenhum lado. Diferente da grande mídia, o Nexo aposta em uma redação “povoada” — 25 profissionais — para fazer jornalismo com “J” maiúsculo.

À IMPRENSA, Corsalette fala sobre o estímulo de criar um novo canal de comunicação em plena crise com recursos próprios, apostando que o leitor quer ouvir novas vozes.

IMPRENSA - Como surgiu a ideia de criar um jornal digital em plena crise econômica?
CONRADO CORSALETTE  - A ideia surgiu a partir de conversas entre eu, a Paula e a Renata. Gostamos muito de jornalismo e sempre o encaramos como uma atividade que tem um papel transformador, pois dá acesso à informação para as pessoas traduzirem o que acontece no mundo. Essa conversa informal acabou evoluindo para a ideia de criar um jornal. Vendo o cenário todo, pensamos em como poderíamos contribuir para o debate público e chegamos à conclusão que a busca pela clareza e equilíbrio das informações é uma coisa legal. Evoluímos para a ideia do Nexo, cujo nome acaba traduzindo um pouco isso tudo o que achamos legal no jornalismo.

Em uma época crise, qual foi o investimento para criar o Nexo. Como pretendem mantê-lo?
O projeto é financiando com recursos próprios dos sócios. Nosso plano é fazer com que ele fique sustentável a partir de assinaturas. Temos um modelo de assinaturas com um valor relativamente barato (R$12) e de fácil acesso. 

A ideia é fazer uma cobertura croosmedia
Existem diversas maneiras de se contar uma história. Há aquelas que são mais bem contadas em gráficos, outras em vídeo. Tem histórias nas quais vale o 'textão' mesmo. Isso é super legal, não é apenas um facilitador. Acho que é uma maneira de se comunicar melhor com as pessoas. 

A equipe conta com um bom número de profissionais? Como essas pessoas foram selecionadas?
A seleção foi bastante interessante. Precisávamos de pessoas das mais variadas áreas e bastante interdisciplinares. Temos uma divisão mínima de editorias e, por isso, as pessoas têm de ter conhecimento geral sobre os assuntos. Isso fez com que até o pessoal da arte e de tecnologia trabalhassem juntos, tornando todos responsáveis pelos conteúdos.

Critica-se muito a mídia pelas ligações políticas. Como o Nexo surge neste cenário?
O Nexo quer dar informação para as pessoas possam concluir e chegar às suas próprias opiniões. A nossa ideia é que as pessoas não sejam influenciadas por opinião. A ideia é dar subsídio, é dar informação de qualidade, para que as pessoas possam concluir por si mesmas sobre cada tema. Óbvio que toda notícia está sujeita à intepretação, mas essa busca pelo equilíbrio, muitas vezes utópica, é nosso norte. Queremos acertar, colocando textos bem fundamentados e com dados corretos para que o leitor possa concordar ou discordar, mas pensando sozinho.