Repórteres relatam ambiente hostil contra mulheres durante jogo da Copa do Brasil

Redação Portal IMPRENSA | 03/12/2015 16:00
As jornalistas Joanna de Assis, do SporTV, e Ana Thaís Matos, da Rádio Globo São Paulo, relataram problemas vividos durante a partida entre Palmeiras e Santos na última quarta-feira (2/12) pela final da Copa do Brasil. 

Crédito:Reprodução/Instagram
Pais da jornalista foram assaltados e passaram mal

Em sua conta no Instagram, Joanna ressaltou todas as dificuldades enfrentadas para entrar ao Allianz Parque – estádio do Palmeiras –, onde foi assistir ao jogo com seus pais. A mãe da jornalista passou mal, enquanto seu pai teve a carteira roubada. 

"Tinha me esquecido o quando é difícil ser torcedor. Não pelo jogo, mas pelo sofrimento e medo que passamos para chegar até o estádio. No caminho, acabamos esmagados na rua Palestra Itália, porque lá havia milhares de torcedores sem ingresso tumultuando o portão. Minha mãe então passa mal a primeira vez, e meu pai tem sua carteira roubada. No caminho, muita gente bêbada, mais tumulto, e a polícia fechou a rua. Minha mãe então passa mal de novo, pelo tumulto", escreveu. 

Após o desabafo, a repórter ainda acabou criticada por alguns torcedores nas redes sociais. "Aí eu recebo uma mensagem de um gênio. 'Não aguenta o esquema, não vá ao estádio. Se é fraco, seja torcedor de sofá'. É por essas e outras que o país está como está". 

No Facebook, a jornalista Ana Thaís Matos afirmou ter sido xingada e perseguida por um homem enquanto entrevistava os jogadores de Santos e Palmeiras. "Hoje, porém, me chocou apenas uma coisa. Enquanto eu entrevistava os jogadores no campo, um senhor, acho que com 60 anos ou mais, corria em minha direção e me soltava as seguintes palavras 'chupa, sua v***, Gambá!' Continuei trabalhando, e seguindo os jogadores e esse senhor - continuava me perseguindo e me xingando". 

Além de relatar o caso, a repórter também chamou atenção ao ambiente machista e misógino vivido pelas mulheres em ambientes esportivos. "Engraçado é que ele não fez isso com nenhum outro repórter, principalmente com os homens. A esse senhor também digo: o machismo e a misoginia está matando parte do mundo! Repense sua vida, repense seus passos! Com essa idade, xingando gente que trabalha igual uma maluca pelo simples fato de achar que ser homem te faz insuperável... É pra lamentar!", concluiu. 


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