MPF denuncia coronel Ustra e dois delegados pela morte de jornalista na ditadura

Redação Portal IMPRENSA | 23/09/2014 09:30
Na última segunda-feira (22/9), o Ministério Público Federal (MPF) denunciou o coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra e dois delegados pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, militante do Partido Operário Comunista (POC). Ele morreu sob tortura no Departamento de Operações de Informações do II Exército (DOI), em São Paulo, no dia 19 de julho de 1971.

Crédito:Agência Brasil
Coronel Ustra (foto) é um dos acusados pela morte sob torturas do jornalista Luiz Eduardo Merlino

De acordo com o G1, também foram denunciados os delegados Dirceu Gravina e Aparecido Laertes Calandra. Já o médico legista Abeylard de Queiroz Orsini, responsável pelo atestado de óbito do jornalista, foi denunciado à Justiça Federal por falsidade ideológica.

O órgão solicitou que os denunciados percam os cargos públicos e tenham suas aposentadorias canceladas. No caso de Gravina, que continua nos quadros da polícia, os procuradores pediram que ele seja afastado enquanto tramita o processo.

Os procuradores ponderam que o crime não pode ser considerado prescrito nem ser abrigado pela lei da Anistia. “Os delitos foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado com pleno conhecimento desse ataque, o que os qualifica como crimes contra a Humanidade e, portanto, imprescritíveis e impassíveis de anistia”, diz parte da denúncia.

A Justiça ainda não informou se acolherá a denúncia. Em outros processos referentes ao período ditatorial, Ustra, Gravina e Calandra negaram responsabilidade por torturas, mortes e desaparecimento de cadáveres.

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