Programa de entrevistas "Trip FM" celebra 30 anos e independência editorial

Alana Rodrigues* | 07/08/2014 16:15
Há 30 anos o bacharel em Direito Paulo Lima estreava o embrião da marca Trip, o programa de rádio "Trip FM" que, dois anos mais tarde deu vida à revista, também presente na internet e TV. Apesar de não ter formação acadêmica condizente com o ramo, ele entrou na comunicação ainda jovem. Aos 22, esboçou seu primeiro programa após uma indicação de seu cliente, o ex-deputado estadual "Turco Loco".

Crédito:Divulgação
Há 30 anos, programa "Trip FM" mantém a independência

Lima foi trabalhar com José Antônio Constantino, atual proprietário da Rádio Energia 97 FM, de Santo André (SP). Ao lado do colega Luiz Salla, o DJ Feio, gravava uma atração de esportes radicias, que já fez sucesso nos primeiros dias com o inédito boletim de ondas para os surfistas.

“Nessa época não tinha nenhum conteúdo desses esportes. Além disso, ele ia ao ar sexta-feira à noite, justamente para preparar para o fim de semana. Até hoje encontro gente que diz que parava o carro na estrada para ouvir”, conta.

Após passagens pela 97 FM e 89 FM, a Trip se fortaleceu e ganhou o formato de talk show que sustenta até hoje, com convidados semanais para um bate-papo. “Há um jornalismo sendo feito ali, ao mesmo tempo, traz um ambiente muito descontraído e divertido”, diz Lima.

O programa também teve passagem pela Jovem Pan e nos últimos 10 anos instalou-se na Eldorado. Além de ser uma das atrações mais antigas, mantida de forma independente, a Trip FM também se consolidou pela revista. Trabalho que não é fácil, alerta o fundador.

“As linguagens são bem diferentes e é preciso adquirir técnica e conhecimento específico. O programa é uma ferramenta muito interessante para que os leitores da revista fiquem mais próximos enquanto a revista não sai. Há um contato forte com a marca e seu ambiente editorial”, avalia.

Entre as ondas sonoras

Entre inúmeras entrevistas que marcaram a "Trip FM", o criador lembra da divertida história do dia em que conversou com o ex-pugilista brasileiro Maguila. Lima conta que, à época, o programa era feito ao vivo no estúdio da 89 FM da Avenida Paulista, em São Paulo (SP). O responsável por buscá-lo telefonou para avisar que o pneu de seu Fusca havia furado e estava sem dinheiro.

Crédito:Arquivo pessoal
Paulo Lima no começo do programa de rádio

Para sorte de Lima, ao passar em uma oficina, o borracheiro, admirador do ex-lutador, decidiu fazer o conserto sem cobrar. Prevendo que Maguila chegaria enfezado com a confusão, a equipe separou faixas de pagode na tentativa de agradá-lo. E deu certo. “As músicas eram totalmente fora da linha da Trip, mas ele entrou no clima e a entrevista foi muito divertida”, relembra.

Para estimular debates

Notabilizada por se posicionar diante de temas polêmicos, a Trip atraiu não só leitores para seus títulos, como anunciantes dispostos a fazer o mesmo em revistas customizadas. Lima explica que para manter a independência é preciso ter relevância e mostrar ao público alguma razão para investir no produto final, além de filtrar o grande número de informações.

“A gente não se posiciona sobre questões polêmicas para gerar audiência ou vender. Num momento em que há tanta oferta de conteúdo é superimportante ter opinião e que você consiga analisar os fatos, não só relatar”, esclarece. 

Segundo ele, a intenção é antecipar tendências, provocar reflexões e gerar bons debates entre os leitores. “Acho que esse é um papel que a gente faz bem. Nossa plataforma busca se manter fomentada por essas discussões”, diz.

Conquistas e desejos

Para Lima, manter a marca já é uma grande conquista. Ele lembra a dificuldade em iniciar os investimentos nos anos de 1980, época obscura da economia nacional. Outro motivo de comemoração é a forma brasileira da marca, exportada inclusive para o mercado exterior, na Alemanha, onde é publicada há quatro anos.

O site, criado em 1996, abriu espaço pra um maior diálogo com o leitor. Uma das primeiras revistas a abrir um perfil no Twitter, acumula mais de 500 mil seguidores e é alvo de investimentos. “Procuramos fortalecer as plataformas onde a marca Trip navega”, ressalta.

A entrada para a TV também era um desejo antigo. Com sete programas transmitidos pela Band este ano, a marca atingiu duas vezes 10% de share – índice de TVs ligadas no momento do programa, exibido durante a madrugada.

Além de investir em novas plataformas, para o futuro, a ideia da marca é criar um programa feminino na rádio e celebrar os 30 anos com um grande evento ainda no segundo semestre de 2014.  “A vibração é a mesma. E espero fazer o programa por mais 30 anos”, completa.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

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