"Muitos estragos já foram feitos à imagem do Brasil", diz repórter da "Economist"

Redação Portal IMPRENSA | 16/06/2014 10:00
"Muitos estragos já foram feitos à imagem do Brasil por conta de problemas na organização da Copa". A crítica é do britânico Michel Ried, repórter especial da revista The Economist para a América Latina. Ele escreveu o livro "Brasil: A Ascensão Turbulenta de uma Potência Global", que deverá ser lançado em setembro no País.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o jornalista, que esteve no Brasil de 1996 a 1999, avalia que o evento demonstra, no cenário internacional, a ausência de habilidade em "organizar projetos de infraestrutura" e em financiar eventos "sem sobrecarregar o contribuinte".

Crédito:Reprodução
Michel Raid, da The Economist, diz que estrago na imagem do Brasil já está feito


Na obra, ele destaca que sediar a Copa do Mundo deste ano e a Olimpíada de 2016 não serviram como prova de ascensão do Brasil a uma potência global. Para ele, o Mundial fez com que o governo investisse de forma exacerbada em infraestrutura. "Serão necessários dez anos de investimento pesado, tanto público como privado, para cobrir essa lacuna", ponderou.

Segundo Ried, é necessário reconhecer a defesa da presidente Dilma Rousseff quanto aos protestos pacíficos, mas afirma que não houve uma resposta efetiva. A questão, explica, é cobrar mais investimentos em saúde, educação e transporte, mas também em reforma política.

"Os protestos mudaram profundamente o clima político do país. Pesquisas mostram que de 60% a 70% dos eleitores querem um presidente diferente de Dilma. Isso não exclui a possibilidade de reelegê-la, mas, se isso acontecer, querem uma Dilma diferente", acrescentou.

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