“As coisas foram ficando mais difíceis”, diz Marluci Martins sobre a cobertura esportiva

Gabriela Ferigato | 04/06/2014 10:00
Rumo a sua quinta Copa do Mundo, a jornalista Marluci Martins, do jornal Extra, esteve nos Estados Unidos (1994); França (1998); Alemanha (2006) e África do Sul (2010). “A gente vai vivendo junto com a evolução dos meios de comunicação”, conta. Segundo ela, no começo, em 94, o acesso aos jogadores era mais fácil, porque havia menos veículos de imprensa.

Crédito:divulgação
Marluci Martins irá cobrir sua quinta Copa do Mundo
“O treino terminava e a gente conseguia conversar com qualquer atleta. Em véspera ou em dia de jogo, íamos para o hotel onde a Seleção ficava e conseguíamos bater um papo com os jogadores no saguão. As coisas foram ficando mais complicadas. O furo é cada vez mais difícil. Temos que compreender que a Seleção realmente tem que ser mais fechada do que era antes”, conta Marluci.

Falando em furo, a jornalista lembra um dos momentos mais importantes de sua carreira. Em 1994, a repórter foi enviada especial pelo jornal O Dia aos Estados Unidos, e, em um determinado treino da Seleção, diversos jornalistas se aglomeraram para tentar falar com o ex-jogador Romário. 

“A polícia americana me tirou de lá, talvez porque eu fosse a única mulher. Comecei a discutir com o policial e ele me puxou pelo braço. Mais tarde encontrei com o Romário e ele disse ‘Vi o que você passou e vou te dar uma exclusiva na concentração’. Fui lá e fiz. Ele me contou sobre os momentos de lazer na concentração, mencionou o clube que tinham criado, onde se reuniam para conversar, contar piada etc. Isso foi uma coisa que me marcou, principalmente porque o Romário foi ‘o cara’ da Copa”, lembra.

De acordo com a jornalista, no começo de sua carreira havia pouquíssimas mulheres, atualmente esse número aumentou. “É algo cada vez mais comum a presença de mulheres no esporte. Não tem nada a ver mais com preconceito, é uma questão de interesse”, completa.  

Entre suas referências femininas, está a repórter Isabela Scalabrini, pioneira da seção de esportes na TV Globo. “Ela era a mulher que fazia sucesso quando eu estava na faculdade. Eu me inspirava nela, embora eu quisesse atuar em jornal e não em televisão”, destaca. Neste ano, Marluci vai acompanhar todos os passos da Seleção brasileira. “Vou acompanhar onde ela for. E espero que até o fim”.  


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