"Tudo que conquistei na vida foi jogando no time chamado ‘Suor F.C.’", diz Milton Neves

Igor dos Santos* | 25/10/2013 18:00
Polêmico e controverso, mas conhecido no Brasil inteiro por seu trabalho na cobertura esportiva, Milton Neves, apresentador da rádio e TV Bandeirantes, concedeu entrevista à IMPRENSA e falou sobre a possível aposentadoria, a biografia preste a chegar às livrarias e suas expectativas para a Copa do Mundo no Brasil.

Crédito:Igor Santos
Milton Neves diz que aposentadoria só se pararem com ele

Aos 62 anos e com uma carreira de mais de quatro décadas, o jornalista tem contrato com a Band até 2016. Ele que anunciou um possível fim de carreia com o encerramento do vínculo, considera a aposentadoria algo “inexorável”. Entretanto, diz que pretende continuar na emissora, se essa for a vontade da empresa. "De forma voluntária você não para p... nenhuma. Você só para quando pararem você”, afirma o apresentador.

Apesar de gostar de passar o tempo com a família, Neves conta que sua esposa não é muito à favor de sua aposentadoria. "Minha mulher brinca dizendo que se eu já sou chato trabalhando desse jeito e indo tão pouco para casa, se eu ficar uma semana inteira lá nosso casamento acaba”, conta.

Biografia

No próximo dia 11 de novembro, será lançada no espaço cultural do shopping Frei Caneca, em São Paulo (SP), uma biografia que narra a trajetória do jornalista. “Milton Neves - Mais Polêmico do que Nunca”, da editora Lazuli, foi escrito por André Rosemberg, que teve 117 encontros com o apresentador. A obra remonta a carreira do apresentador desde os tempos em que atuava em Muzambinho (MG), em sua cidade natal, até o reconhecimento nacional.

Neves conta que, antes de iniciar o projeto, não sabia que “fazer livro era tão difícil, tão importante”. Além disso, se surpreendeu com a quantidade de "fotos e histórias que tinha para contar".

Apesar disso, diz que já pensa em criar uma “fotobiografia” para ser lançada em 2014, pois não está 100% satisfeito com o livro prestes a ser lançado. Segundo Milton Neves, a obra sofreu uma troca de biógrafos no meio do projeto e, em razão disso, “faltou muita coisa para contar”. 

“O livro que vai sair é nota seis, pois eu perdi a paciência. A coisa ficou muito demorada por causa da mudança de biógrafo, mas foi algo absolutamente necessário. Entretanto, estou muito satisfeito com o André [Rosemberg], que é um rapaz muito curioso e pesquisador”, afirma.

Para aqueles que espera um livro cheio de polêmicas, Neves corta o barato. "Deixei as polêmicas de lado, pois não dedico nada a desafetos”, confessa.

Crédito:Igor Santos
Apresentador pretender lançar sua própria "fotobiografia"

Jornalismo 

Com trabalhos na mídia impressa, internet, rádio e televisão, o apresentador ressalta que, atualmente, os jornalistas têm que saber trabalhar nos mais diversos meios. “O cara [repórter] hoje tem que ser multimídia mesmo. Não dá pra você trabalhar apenas em um meio. Hoje, o jornalista tem que bater o escanteio e marcar de cabeça”.

Sobre a relação entre publicidade com o jornalismo, sua marca registrada, o apresentador acredita que ambos tem que trabalhar juntos. “Se falava que jornalismo e publicidade não se misturam como água e azeite. Mas se você ver a capa dos grandes jornais, vai reparar que eles fizeram uma capa falsa com propagandas. Algo impensável há alguns anos atrás, mas isso é algo natural”, diz.

Copa

Sobre a expectativa de cobrir uma Copa do Mundo no Brasil, Milton Neves acredita que o torneio de 2014 será “um grande aprendizado para toda a imprensa brasileira”, pois as emissoras poderão levar equipes maiores para a cobertura em razão da proximidade.

Para o apresentador, o jornalismo esportivo brasileiro é o melhor do mundo. "Queira ou não, no rádio ninguém transmite jogos de futebol como o Brasil”. Controverso, garante: o Brasil só ganha essa Copa se for “no apito”. 

Superação

Com reconhecimento nacional, Neves recorda a origem humilde e as dificuldades de chegar ao posto de um dos principais apresentadores da TV brasileira. E se orgulha por seu esforço ter sido recompensado. "Tudo que conquistei na vida foi jogando no time chamado ‘Suor Futebol Clube’. E olha que eu derramei suor pra chegar onde eu estou. Daria até para encher o oceano Atlântico”, conclui.

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves

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