Defesa de Ustra obtém documentos para contestar condenação na morte de jornalista

Redação Portal IMPRENSA | 28/06/2012 09:30
O coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra obteve do Exército documentos que comprovam que não estava em São Paulo no dia da morte do jornalista Luiz Eduardo da Rocha Merlino, em julho de 1971, informou o portal do jornal O Estado de S.Paulo na última quarta-feira (27/6). A defesa de Ustra usará a documentação no recurso contra a sentença que condenou o coronel a pagar R$ 100 mil de indenização à família do jornalista por danos morais.  

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Crédito:Divulgação
Exército cedeu documentos para defesa de Ustra

Segundo seu advogado Paulo Alves Esteves, os documentos fazem parte do cadastro pessoal de Ustra no Exército. "São documentos da caserna, que registram tudo que cada militar faz. Lá se encontra o comprovante da passagem para Porto Alegre", disse.

O objetivo é comprovar a versão oficial da morte de Merlino. No documento oficial sobre sua morte consta que, de acordo com DOI-Codi de São Paulo, chefiado na época pelo coronel, o jornalista cometeu suicídio após ser levado para um encontro com militantes do Partido Operário Comunista, do qual fazia parte. "Ao fugir da escolta que o levava para Porto Alegre, na estrada BR-116, foi atropelado", diz um trecho.

No entanto, vários ex-presos políticos afirmam que Merlino foi torturado durante 24 horas ininterruptas sob ordens do coronel Ustra, sendo abandonado numa solitária sem cuidados médicos, morrendo horas depois por problemas circulatórios causados pela tortura.