YouTube, Kwai e TikTok disseminam desinformação nas eleições, mostram estudos
O peso das plataformas de compartilhamento de vídeo nas eleições e na disseminação de desinformação foi destacado em dois estudos de universidades brasileiras que acabam de ser divulgados.
Atualizado em 13/09/2022 às 10:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
No primeiro deles, do NetLab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ideia foi identificar os canais e conteúdos noticiosos destacados pelo algoritmo do YouTube durante o período de 23 a 30 de agosto. O trabalho revelou que a plataforma privilegia a Jovem Pan e vídeos a favor do presidente Jair Bolsonaro (PL) em suas recomendações. Crédito:Reprodução O Estado de Minas Para chegar a essa conclusão, o NetLab criou 18 novos perfis no YouTube, que acessaram a plataforma em diferentes datas e horários, com uso de ferramenta que ocultou o endereço IP dos perfis e simulou localizações geográficas aleatórias dentro do Brasil. O objetivo foi eliminar dos perfis qualquer histórico de interação com o YouTube.
No estudo foram feitas 18 visitas-teste à plataforma. Mesmo sem curtidas ou visualizações prévias em canais de direita, o YouTube recomendou vídeos da Jovem Pan e pró-Bolsonaro em 14 vezes. Ainda de acordo com a análise, o líder de recomendação foi o programa Pânico de 26 de agosto último, que teve a participação do presidente-candidato Jair Bolsonaro (PL). A entrevista aparece recomendada em oito visitas-teste.
UFMG
Por sua vez, o projeto Eleições Sem Fake, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), focou em aplicativos como TikTok e Kwai. Segundo o trabalho, eles foram responsáveis por 41,3% dos vídeos compartilhados em grupos de WhatsApp em julho e agosto últimos. Sozinho o TikTok respondeu por 108 dos 133 vídeos analisados. Destes, o estudo afirma que dez propagam informações falsas sobre o sistema eleitoral ou defendem o voto impresso. Apenas seis vídeos do levantamento são contrários ao atual presidente.
Os dados sugerem que TikTok e Kwai, que democratizam o acesso a ferramentas de edição e compartilhamento de vídeos, têm sido largamente usados para descontextualizar conteúdos e disseminar desinformação.
Outra questão levantada é que, apesar de produzidos dentro de redes específicas, os vídeos são largamente compartilhados em outros canais, o que dificulta o controle sobre as informações falsas e discurso de ódio, abrindo um "ponto cego de responsabilidade".
Ainda de acordo com o estudo, no dia 25 de julho deste ano, o vídeo mais compartilhado em grupos de WhatsApp bolsonaristas afirmava que a eleição de Dilma Rousseff (PT) em 2014 foi fraudada e levantava dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas. Com dois minutos e meio, o material foi editado no TikTok e reproduz parte de um documentário da produtora de vídeos Brasil Paralelo.





