"Você fica congelada", diz jornalista assediada por cantor inglês em entrevista

Em entrevista ao G1, a jornalista americana Rachel Brodsky, editora-assistente da revista Spin, relatou o assédio sexual que sofreu há três meses durante uma entrevista com o cantor e guitarrista inglês Miles Kane, do Last Shadow Puppets.

Atualizado em 14/06/2016 às 17:06, por Redação Portal IMPRENSA.

jornalista americana Rachel Brodsky, editora-assistente da revista Spin , relatou o assédio sexual que sofreu há três meses durante uma entrevista com o cantor e guitarrista inglês Miles Kane, do Last Shadow Puppets. A profissional também mandou um recado à , que passou por uma situação semelhante com o funkeiro MC Biel.
Crédito:Reprodução/Twitter Repórter não denunciou formalmente o cantor

À época do assédio, o relato da jornalista repercutiu nos principais veículos britânicos, como o jornal The Guardian e a revista NME . Na ocasião da entrevista, Miles Kane chamou Rachel para subir ao seu quarto de hotel e a empurrou para forçar um beijo em sua bochecha. "Fiquei pasma", afirmou.
Diferente da repórter do iG, a editora-assistente da Spin não prestou queixa à polícia, mas a reação foi parecida. A repercussão do caso foi pautada por jornais e comentada na internet. E o cantor inglês levou alguns dias para se desculpar, alegando que seu "humor foi mal interpretado".
"Nunca estive no meio de uma onda negativa assim. Foi muito gratificante ver o assunto discutido em veículos como Jezebel e The Guardian , mas ao mesmo tempo, profundamente aterrorizante ser tema do debate dessa maneira", relatou Rachel.
A jornalista acredita que as reações das profissionais que enfrentam esses comportamentos de músicos são mais frequentes agora, pois há mais mulheres na área da música, mercado com "estereótipo de dominação masculina". Ela também ressalta que as redes sociais deram voz para as pessoas e que cantoras "poderosas" como Beyoncé e Taylor Swift, discutem o significado de feminismo.
Rachel comentou ainda sobre sua reação no momento do assédio e que decidiu discutir a situação com seus editores antes de uma reação pública. "Uma mulher nunca sabe como vai reagir quando se vê de repente em situação desconfortável ou ameaçadora com um homem. Gostamos de pensar que vamos gritar, berrar, responder. Mas na real você fica congelada".
A editora deixou um recado à repórter do iG. "Eu diria a ela para não deixar esse incidente infeliz estigmatizar para sempre seus sentimentos em relação à indústria musical. Para cada entrevistado rude e insensato que você encontra, também vai achar um monte de pessoas espertas, talentosas e enriquecedoras – músicos e outros profissionais. Se você deixar essa experiência te tirar do lugar para sempre, significa que esse cara ganhou. Não deixe ele ganhar".

Campanha Sem Assédio na imprensa
IMPRENSA lançou a campanha . O objetivo é mostrar como repórteres do sexo feminino e masculino estão expostos ao assédio moral e sexual, tentando encontrar ao lado de especialistas e das entidades ligadas à imprensa formas de reduzir/acabar com esse tipo de ação com soluções práticas.
Convidamos jornalistas e comunicadores de todo o Brasil a contar suas histórias, sob anonimato, se assim o desejar, para que todos possam ficar de olho e ajudar no combate ao assédio à imprensa.
Os interessados podem mandar seus relatos para o e-mail: redacao@portalimprensa.com.br, colocando no assunto: depoimento sem assédio na imprensa, até 17 de junho. Garantimos que sua identidade e a do assediador serão mantidas em sigilo.