Vencedora do Nobel da Paz, jornalista filipina obtém nova vitória em processo de assédio judicial
Ganhadora em 2021, junto com o colega russo Dmitri Muratov, do Prêmio Nobel da Paz por sua defesa da liberdade de imprensa, a jornalista filipina Maria Ressa e o site de notícias Rappler, do qual ela é cofundadora, foram absolvidos por um tribunal da capital Manila da acusação de fraude fiscal.
Atualizado em 13/09/2023 às 12:09, por
Redação Portal IMPRENSA.
Apesar da vitória, a jornalista continua sofrendo assédio judicial em ações movidas pelo governo do ex-presidente Rodrigo Duterte. Em 2018 o governo Duterte chegou a emitir uma ordem de fechamento contra o Rappler, sob a alegação de que a empresa era de propriedade estrangeira. O Rappler, no entanto, provou ser uma companhia 100% filipina e conseguiu manter suas atividades. Crédito: Elois Lopez/Reuters Maria Ressa: alvo de assédio judicial por cobertura crítica de assassinatos extrajudiciais A perseguição acontece pois Ressa e o Rappler cobriram de forma crítica a guerra às drogas de Duterte, que, desde o início de seu mandato, em 2016, levou a milhares de execuções extrajudiciais de suspeitos de envolvimento com o tráfico.
Além da absolvição desta semana, Ressa e o Rapler foram inocentados em janeiro de outras acusações fiscais.
Apesar das vitórias recentes, Ressa teve que pagar fiança para não ser presa após ser condenada, em 2020, por difamação cibernética. Ela e Reynaldo Santos Jr., também jornalista do Rappler, aguardam apelação na Suprema Corte filipina relativa a esse processo.
Instituto Reuters
No início deste ano a jornalista criticou o relatório anual do Instituto Reuters, ligado à Universidade de Oxford, sobre hábitos de consumo de notícias online.
Em sua edição 2023, o levantamento entrevistou 94 mil pessoas em 46 países, incluindo o Brasil. Além de indicar diminuição do interesse dos brasileiros por notícias, o trabalho apontou SBT, Band e Record como as empresas com mais mençes de "confiáveis" no cenário jornalístico nacional, enquanto Globo, O Globo, Folha de S. Paulo, Veja e O Estado de S.Paulo seriam as com mais menções de "não confiáveis".
Para Ressa, que renunciou no ano passado ao conselho consultivo do Instituto Reuters, a entidade coloca em risco, com suas pesquisas, jornalistas e veículos independentes, principalmente no hemisfério sul.
O próprio Rappler foi classificado no levantamento como um dos menos confiáveis nas Filipinas. Tal resultado está sendo usado no assédio judicial contra o veículo e a jornalista.
Rasmus Kleis Nielsen, diretor do Institute Reuters, lamentou o que chamou de "abuso" contra Maria Ressa e afirmou que o relatório sobre notícias digitais foi deturpado pelo governo filipino.





