União de Jornalistas Independentes luta por fim de diploma e registros provisórios

União de Jornalistas Independentes luta por fim de diploma e registros provisórios

Atualizado em 23/02/2009 às 11:02, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) deverá decidir sobre a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. Defendido por órgãos como a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP), o assunto sempre causa polêmica.

Uma pesquisa de opinião nacional realizada pela FENAJ/Sensus em 22 de setembro de 2008 mostrou que dos dois mil entrevistados, 74,3% são a favor do certificado. Contrária a este número, a União Nacional dos Jornalistas Independentes (Unajoi) defende a não obrigatoriedade do diploma.

Gérson Siqueira, presidente e fundador da entidade, diz que "este ano sai a sentença definitiva. Temos ganho muitas batalhas, mas precisamos agora, mais do que nunca, ganhar a final".

Portal IMPRENSA - Como foi como fundada a Unajoi?
Gérson Siqueira -
Trabalho na imprensa desde 1982, comecei no Espírito Santo e depois vim para São Paulo. Trabalhei muito em jornais de bairro, meu último emprego foi na Gazeta de Pinheiros. Por problemas financeiros, tranquei a faculdade no 2º ano, e acabei não voltando. Sentia a necessidade de fundar um movimento que defendesse os jornalistas sem diploma, e isso se concretizou em 2005, em parceria com o também jornalista Haroldo Mendes, de Belo Horizonte.

IMPRENSA - Então você nunca teve diploma?
Siqueira -
Não, mas tenho registro provisório desde 2002 e tenho MTB. A nossa luta é para tentar converter os registros provisórios em definitivos e acabar com o diploma. A estimativa que temos é que são cerca de 18 mil jornalistas não diplomados em todo o Brasil. Se o STF julgar obrigatório o diploma para exercer a profissão, profissionais com mais de vinte anos de experiência vão perder o emprego e até passar necessidade, e não achamos isso justo.

IMPRENSA - Como a Unajoi age para defender a não-existência do diploma?
Siqueira -
Quando éramos apenas um movimento, fazíamos pressão através de cartas e reportagens publicadas na imprensa. Agora a Unajoi está esperando um parecer do STF, que vai julgar a matéria ainda neste semestre, para entrar com uma ação cível se for necessário. Temos mais de 500 adesões de jornalistas de todo o país.

IMPRENSA - Mas o diploma não seria uma forma de proteger a categoria?
Siqueira -
Acho que não, pois temos uma pesquisa que mostra que menos de 10% dos profissionais formados são absorvidos no mercado. Além disso, o salário é baixíssimo para quem estuda e tem o diploma. Além disso, jornalistas com mais de 40 anos estão com o mercado de trabalho. a Unajoi não é contra curso superior, mas contra a obrigatoriedade de diploma para trabalhar, porque entendemos que isso é autoritário. Acabar com o diploma é uma predisposição dos grandes medalhões da imprensa e do próprio STF. Grandes nomes do jornalismo, como Ricardo Kotscho e Boris Casoy, não têm diploma. A Unajoi defende a ética no jornalismo, não quer que qualquer um tenha o registro.

IMPRENSA - E qual é o critério para saber quem deve ter o registro ou não?
Siqueira -
O ideal para acabar com a discussão é submeter o jornalista à avaliações, e ver se ele tem as condições de ter o registro: bagagem, cultura e experiência na profissão. Não somos contra o profissionalismo, não queremos abrigar qualquer mal profissional. Deveriam aproveitar os que não são diplomados e têm experiencia. Não é um conflito de interesses, só queremos o nosso espaço.

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