União da Juventude Socialista promove "enterro" de Diogo Mainardi
União da Juventude Socialista promove "enterro" de Diogo Mainardi
A União da Juventude Socialista (UJS) realizou, na tarde desta quinta-feira (11), um ato de repúdio ao jornalista Diogo Mainardi e à revista Veja . Durante o protesto, os jovens fizeram o "enterro" de Mainardi, em frente ao escritório da Editora Abril no Rio de Janeiro, jogando 200 quilos de estrume sobre seu "caixão".
O protesto foi motivado pelos comentários que Mainardi fez em sua coluna da última semana em que classifica os participantes da "Contra a Veja : Em defesa da Memória de Che" - que queimou exemplares da revista em frente ao prédio da Editora, em São Paulo, na última semana - de "34 fascistóides".
A UJS também pretendia entregar uma "carta aberta a Mainardi e à sociedade brasileira", na qual o movimento condena o "jornalismo de péssima qualidade" da Veja e a não abertura da CPI da TVA.
" [...] diferentemente do que faz crer Mainardi, os jovens socialistas presentes no ato não eram "fascistóides". Estavam eles, justamente, combatendo uma prática corrente dos grupos fascistas: o revisionismo histórico, as memórias ultra-seletivas e o jornalismo de péssima qualidade, elementos presentes na matéria "Che, a farsa do herói", publicada pelo semanário dos Civita no dia 1º de outubro deste ano", diz a carta.
Segundo o presidente da UJS, Igor Bruno, a Editora Abril e Diogo Mainardi são contraditórios em suas ações. "A matéria da Veja é completamente absurda. Essa manifestação é contra Mainardi, cuja opinião, para nós, não é nada, e contra a Editora Abril, que fala que todos os políticos são vagabundos, mas, na hora que precisa, recorre a eles para que retirem o nome do pedido de abertura da CPI da TVA", disse Bruno, em entrevista ao Portal IMPRENSA.
Para Mainardi, a ação da UJS é uma "palhaçada". "Não tem o que dizer sobre isso. É uma palhaçada, essa molecada deveria estar estudando. E eu acho que tem gente muito mais gabaritada do que eu para eles jogarem estrume em cima", disse o jornalista.
Mainardi também comentou seu "enterro" em podcast, no site da revista Veja . Para ouvi-lo, .
Leia abaixo a carta aberta da UJS:
"Viemos por meio desta esclarecer quem eram "os 34 fascistóides que, na última quinta-feira, incendiaram cópias da Veja na frente da sede da Editora Abril, no Rio de Janeiro", conforme classificou o colunista Diogo Mainardi na última edição da mesma revista (7 de outubro).
Os jovens citados em nada se assemelham ao fascismo. Os mesmos são militantes da União da Juventude Socialista (UJS), entidade fundada em 22 de setembro de 1984, destinada a lutar em defesa dos direitos da juventude, pela democracia e pelo socialismo.
A UJS é uma das entidades responsáveis por capítulos importantes da história de nosso país. Na década de 80, a entidade foi a primeira a propor a aprovação do projeto que instituiu o voto facultativo a partir dos 16 anos. Em 1992, foram jovens ativistas da UJS que lideraram o movimento "Fora Collor", que resultou no impeachment do então presidente Fernando Collor. Durante a era privatista e entreguista de Fernando Henrique Cardoso a entidade mobilizou milhares às ruas. Na eleição e reeleição de Lula a entidade jogou um grande papel, propondo ações na plataforma eleitoral do presidente e mobilizando a juventude para que elegesse o primeiro presidente operário de nossa história.
Portanto, diferentemente do que faz crer Mainardi, os jovens socialistas presentes no ato não eram "fascistóides". Estavam eles, justamente, combatendo uma prática corrente dos grupos fascistas: o revisionismo histórico, as memórias ultra-seletivas e o jornalismo de péssima qualidade, elementos presentes na matéria "Che, a farsa do herói", publicada pelo semanário dos Civita no dia 1º de outubro deste ano.
O protesto desmascarou o ataque raivoso de nossas elites, tão bem representadas pela Veja, Diogo Mainardi e companhia, contra um dos revolucionários mais importantes da história da humanidade, o argentino Ernesto "Che" Guevara.
Sabemos quais são os alvos deste ataque travestido de matéria jornalística. Sabemos que os interessados em desacreditar Che e o socialismo são os mesmos que mantém a opressão e a injustiça social no Brasil de hoje.
Também, diferentemente do que afirma Mainardi, os jovens socialistas não acham que "todos os políticos são meio [ou completamente] vagabundos". Acreditamos que a política, com "P" maiúsculo, é meio para a solução dos problemas da sociedade. Só poderemos resolver os problemas coletivos através de soluções coletivas. Sendo assim, a política se faz necessária como instrumento para construir, organizar e mediar qualquer tipo de mudança profunda em qualquer sociedade.
Se as classes dominantes do Brasil não sabem indicar e eleger representantes políticos de qualidade é um problema das elites. Se o povo quer eleger e elege representantes fiéis aos interesses populares é uma virtude dele, que deve ser respeitada e incentivada.
Sugerimos ao jornalista que leve suas concepções e idéias ao limite, provando com isso a validade das mesmas. Deveria assim, com a mesma veemência com que condena todos os políticos em sua coluna na revista, aconselhar Gustavo José Batista do Amaral - assessor de imprensa do Grupo Abril - e seu chefe, Roberto Civita, a interromper a caça de deputados pela retirada de suas assinaturas do pedido da CPI Abril-Telefônica, visto que todos os deputados são "vagabundos" e não investigarão nada.
Deveria, inclusive, chamar todos os homens e mulheres do planeta de vagabundos, pois, segundo Aristóteles, "todo homem, independente de ocupar cargo eletivo ou não, é um animal político".
Por fim, os jovens socialistas reiteram sua crença na democracia, na política e nas soluções coletivas para os problemas da sociedade brasileira. Sejam elas transportadas por políticos eleitos, ou pelo próprio povo organizado. A sociedade demanda que mudemos a política e os resultados dela. Jamais concordaremos com as conclusões reacionárias e elitistas do jornalista e nunca deixaremos de lutar por país livre, soberano, desenvolvido e socialmente justo.
Assina,
Direção Executiva Estadual da União da Juventude Socialista do Rio de Janeiro"






