Um mês após atentado no “Charlie Hebdo”, cartunistas árabes pedem mais tolerância
Há exatos 30 dias desde o atentado terrorista à redação do satírico Charlie Hebdo, na França, as discussões sobre tolerância religiosa, censura e liberdade de expressão estão longe de ter um fim.
No especial sobre a tragédia que vitimou 12 pessoas, entre eles, grandes nomes das charges, como o cartunista Wolinski, o jornal O Globo ouviu artistas gráficos do mundo árabe para saber suas impressões sobre o ataque.
“Para mim, a charge precisa criar pontes e não aumentar a separação, como muitos cartunistas ocidentais estão fazendo. Em meus desenhos, faço piadas com religião o tempo todo, mas tento não fazer isso de forma ofensiva”, afirmou o cartunista sudanês Khalid Albaih, morador de Doha, no Qatar.
Crédito:Reprodução Charge do sudanês Khalid Albaih foi traduzida em diversas línguas após atentado no "Charlie Hebdo"Uma de suas charges ganhou o mundo logo que aconteceu o atentado em Paris, no último dia 7 de janeiro. Na imagem, um jovem muçulmano é coagido por duas figuras que o acusam de estar com os terroristas ou com os infiéis. O personagem apenas responde: “eu sou só um muçulmano”.
Defensor de mais tolerância na classe de cartunistas, Albaih destacou que é contra a censura, mas também não é favorável ao desrespeito às crenças religiosas. Como prova de sua desaprovação ao atentado ao Charlie Hebdo, o chargista destacou que boa parte da comunidade muçulmana foi contra às mortes.
Ainda assim, os pontos de tensão entre o Oriente Médio e o Ocidente são claros. Recentemente, a Iran’s House of Cartoon, com apoio da prefeitura da capital Teerã, lançou um concurso de charges sobre o Holocausto, em resposta às ilustrações do profeta Maomé que foram publicadas na nova edição do Charlie.
“Somos cartunistas e também condenamos os ataques ao Charlie Hebdo ”, disse Massoud Shojai Tabatabai, diretor da casa, que aproveitou para garantir que não é antissemita nem nega o derramamento de sangue iniciado por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. “Não queremos fazer dos judeus nossos inimigos, mas se o Ocidente acredita que não há limites para a liberdade de expressão, por que não podemos fazer desenhos sobre o Holocausto?”, finalizou.





