Um ano após ter programa cancelado, jornalista portuguesa rescinde contrato com TVI

Um ano após ter programa cancelado, jornalista portuguesa rescinde contrato com TVI

Atualizado em 19/10/2010 às 12:10, por Redação Portal IMPRENSA.

A jornalista portuguesa Manuela Moura Guedes rescindiu seu contrato com a rede TVI, no último domingo (17), após polêmica envolvendo a profissional de imprensa e o primeiro-ministro português José Sócrates. Para Manuela, que estava em licença médica há um ano, sua saída da emissora representa o "fim de um pesadelo": "É o final de um pesadelo ao fim de um ano. É um alívio, embora a sensação de injustiça não tenha terminado", declarou à agência Lusa.

A ex-apresentadora do canal português havia dito que só sairia da emissora após receber uma indenização no valor de um milhão de euros. Em seu perfil no Facebook, Manuela declarou: "Acaba-se um ano de pesadelo sempre à espera que se fizesse justiça...E era impossível voltar porque seria para fazer o que sempre fiz, jornalismo verdadeiro que não cede a pressões vindas de onde ...vierem".

De acordo com o portal Público, Manuela apresentava o "Jornal Nacional de Sexta", que foi cancelado em setembro de 2009, antes das eleições legislativas portuguesas. A suspensão do jornalístico foi atribuída ao primeiro-ministro, que foi citado em reportagens veiculadas pelo programa sobre o caso Freeport, sobre suspeitas de corrupção e tráfico de influência em licitações de espaço comercial.

Na época, o político criticou a linha editorial do jornalístico, e chegou a afirmar que o programa era um jornal "travestido". A jornalista entrou com processo contra Sócrates por difamação, porém o primeiro-ministro obteve imunidade parlamentar e o inquérito foi arquivado.

Em comunicado sobre a saída de Manuela, a TVI declarou que a rescisão foi feita de comum acordo e que, "por razões de confidencialidade inerente ao acordo celebrado", a emissora não daria detalhes ou comentários sobre o assunto.

Em março deste ano, o Sindicato dos Jornalistas de Portugal criticou a suspensão do "Jornal de Sexta", e classificou o cancelamento como "ilegítimo e ilegal". Até mesmo a Entidade Reguladora de Comunicação (ERC) iniciou processo contra a TVI pela repercussão do caso. Se condenada, a emissora poderá ser multada de até 15 mil euros.
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