Último respiro de liberdade - Jorge Teles/Faculdades Campo Real

Último respiro de liberdade - Jorge Teles/Faculdades Campo Real

Atualizado em 17/01/2005 às 19:01, por Jorge Teles/Faculdades Campo Real - Guarapuava-PR.


No hall de entrada da Faculdade encontrava-se exposto o cartaz informando que nos dias 13 e 14 de janeiro de 2005 seriam realizadas as rematrículas do curso de jornalismo. A mesma informação constava na página da instituição na internet. O que deixava dúvida eram os telefonemas recebidos por alguns alunos do curso, informando que não aconteceriam matriculas nestes dias, e convocando-os para uma reunião para 20 de janeiro.

Outra informação extra-oficial, que necessitava ser apurada, era a extinção do curso de Economia. "Parece que aceitaram mudar para o curso de Gestão de Negócios pagando apenas 50% da mensalidade, e parece que isso irá acontecer com o Jornalismo", era o comentário que circulava entre alunos da instituição.

Como aprenderam, no próprio curso, que tudo deve ser apurado, os futuros jornalistas dirigiram-se na noite do dia 13 de janeiro à secretaria da instituição. Solicitaram a realização da rematricula, e de imediato foram informados que não seria possível, e que todos estavam convocados para a tal reunião do dia 20 de janeiro.

Não restava mais dúvida, mas para confirmar, perguntaram o motivo da reunião, e este também foi confirmado: a possível extinção do curso de Jornalismo, assim como havia acontecido com o de Economia.

Jornalista, ou no caso, futuro jornalista, ou ainda quem sabe ex-futuro-jornalista, acredita no Jornalismo, e optou por que sabe o que quer. Caso a extinção do curso aconteça, respeitando-se as particularidades, acredito que a maioria não aceitará migrar para outro, seguindo o exemplo das turmas de Economia. Futuro jornalista, acredita no Jornalismo, por isso informou a imprensa local, TV, rádio e jornal, pois sabia que o assunto interessava a toda a comunidade, e não somente àqueles alunos. A imprensa compareceu.

Entre os alunos presentes na noite do dia 13, o pensamento era unânime: não será apenas um ano, 12 parcelas pagas pela prestação de serviços que poderá ser extinto. É um projeto de vida para quatro anos. São noites sem dormir, finais de semana sacrificados, investimento em transporte, livros. Muitos deixaram a família, empregos, abandonaram outros cursos superiores em andamento, tudo em prol de um sonho. E não é só isso, professores investiram, buscaram se especializar, sonharam juntos. Estes professores incentivaram a turma, ensinaram muitas coisas nesses dois períodos. Insistiram na idéia de que, na faculdade devemos aproveitar tudo. Além das aulas, o bate-papo com os colegas, a conversa informal com professores, qualquer tipo de leitura, tudo é válido. Debatemos muito sobre a busca da verdade, sobre não aceitar as coisas como "cordeiros", mas ao contrário, lutar pelos direitos nossos e dos outros, e principalmente nunca deixar de sonhar.

Posso estar agora sonhando, portanto meus queridos professores, não levem em conta que iniciei o texto na terceira pessoa e agora mudei para a primeira. Também sei que o texto está sem lide. No início até parece lide de apelo direto ou nariz de cera, mas tudo isso não passa de um desabafo, talvez o último RESPIRO DE LIBERDADE. Afinal, durante este tempo procurei registrar tudo. Foram textos, fotos, áudios que arquivei procurando registrar todos os momentos do curso: os bons, os não tão bons. Pena que meu blog sumiu e perdi muita coisa. Lamento também que o que tentei gravar na noite do dia 13 de janeiro, para registrar nos anais da história de nosso curso, não funcionou, as pilhas do gravador falharam. Eu sei, é um erro fatal não verificar as condições do equipamento antes de usá-lo. Acho que o gravador ficou morrendo de medo quando uma pessoa me informou que não autorizaria o uso de sua voz na imprensa, mas antes tentou ficar com minha fita. POR FAVOR ME POUPEM.

Agora existe outro aspecto a ser analisado, a relação cliente fornecedor. Qualquer produto vendido e não entregue, pode manchar a imagem de uma instituição. Um exemplo: presta-se vestibular, investindo-se em mensalidades e outras coisas, não para estudar um ano, mas sim concluir um curso superior. Nessas condições, qualquer pessoa que tenha um objetivo, é contrária a extinção de seu curso. Por outro lado, todos são conscientes de que se houver amparo legal para o fechamento de um curso, tal decisão deve ser aceita. Depois disso, outros caminhos legais poderão ser tomados. Mas o sonho, o projeto de vida, este sim acaba. E assim como o meu poderá acabar, cuidado, o de muitos outros também poderão ruir como um castelo de areia atingido pela onda. Ontem foi um curso, dia 20 poderá ser o meu, e no futuro?? O futuro, tudo parece, está na mão de gestores. Antes de finalizar, um recado para quem teve ou terá aulas de marketing. Não basta estudar, é muito importante observar os modelos de relação entre empresas e clientes, que não devem ser seguidos. As vezes o mau exemplo não está longe. E mais, toda empresa não pode esquecer aquele ditado: Cliente satisfeito fala para dez. Cliente insatisfeito fala para mil.