TVs discutem proteção contra as empresas telecom

TVs discutem proteção contra as empresas telecom

Atualizado em 02/06/2005 às 09:06, por Fonte: Associação Brasileira de Comunicação Empresarial.

Representantes de emissoras de televisão discutiram a provável ameaça ao modelo de negócios da televisão aberta no Brasil diante das novas tecnologias digitais ontem, durante o VI Fórum Brasil de Programação e Produção, que acontece até este dia 1º de junho, no ITM Expo, em São Paulo, organizado pela Tela Viva e Converge Eventos. Pelo menos quatro das principais redes de TV do Brasil (Globo, SBT, Record e Bandeirantes) manifestaram forte preocupação com a possibilidade de concorrência de empresas de telecomunicações. "Nosso setor vive de publicidade e entrega informação e entretenimento gratuitos. As teles vivem de tarifas. Quando o governo começar a discutir uma Lei Geral de Comunicação, terá que levar esse cenário em conta", disse Octávio Florisbal, diretor geral da TV Globo, conforme noticiou a revista Tela Viva. Johnny Saad, presidente do grupo Bandeirantes, acompanhou a mesma linha de reflexão. "Somos a única alternativa gratuita de distribuição de entretenimento e informação gratuita e acho que a evolução tecnológica não tem nada a ver com isso. Entendo que as teles estejam buscando uma mudança no marco regulatório para poderem fazer o mesmo, mas terão que respeitar o modelo já colocado", afirmou.

Alexandre Raposo, diretor geral da Rede Record, lembrou que os problemas enfrentados pelos radiodifusores são sentidos já, na demora do Ministério das Comunicações em abrir espaço para novas retransmissoras. "Precisamos disso para viabilizar nosso negócio, mas o governo é muito lento". Já para Guilherme Stoliar, superintendente do SBT, a TV aberta desempenha um papel social para o Brasil e é importante garantir que empresas de TV aberta não sejam prejudicadas pelas empresas de telecomunicações.

Numa análise do mercado de televisão no mundo, Henrique Washington, sócio-diretor da Accenture, as empresas de telecomunicações estão avançando sobre as fronteiras da televisão não por uma questão de inevitabilidade tecnológica, mas porque elas precisam ter retorno sobre investimentos monstruosos (estimados em US$ 2 trilhões nos últimos 10 anos) que ainda não se pagaram "Hoje estas empresas de telecomunicações valem a metade do que valiam em 2000, quando a bolha da Internet estourou". Não por acaso, pondera Washington, nos EUA há um crescimento significativo nas receitas obtidas pelas teles com serviços que não são nem de voz nem de dados. Em três anos, serviços de vídeo passaram a ser 32% das receitas das empresas de telecom, contra 22% em 2002. O percentual referente aos serviços de voz também caiu. Entre as dificuldades para o modelo ter sucesso no Brasil, ele destaca a concentração de renda. "Há mais TVs do que geladeiras e televisores. Não é de um dia para o outro que se muda essa relação". Mas ele lembra que as empresas de telecomunicações são muito maiores em termos de poder econômico, afirmando que a soma dos cinco maiores grupos de mídia no Brasil representa apenas um pouco mais da metade do faturamento de uma empresa como a Brasil Telecom. Ele explicou que o tema ainda enfrenta muitos desafios regulatórios, como a questão do broadcast sobre IP, restrições ao capital externo e propriedade cruzada.