TV Pública deve existir como contraponto às comerciais, diz Tereza Cruvinel

TV Pública deve existir como contraponto às comerciais, diz Tereza Cruvinel

Atualizado em 18/04/2008 às 13:04, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Durante debate promovido pelo jornal Folha de S.Paulo e pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC), na última quinta-feira (17) Tereza Cruvinel, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Paulo Markun, diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta, e Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, discutiram a comunicação pública no Brasil. O encontro, mediado pelo novo ombudsman da Folha , Carlos Eduardo Lins da Silva, ocorreu na sede do jornal.

Cruvinel defendeu a existência da TV pública como contraponto às emissoras comerciais, e afirmou haver diversas especulações e desconfianças em relação à comunicação pública. Mas, para ela, "a EBC surge para organizar um patrimônio da sociedade brasileira, propõe uma racionalização de canais da União. A finalidade da TV Brasil é dar uma gestão pública para canais que estavam sob a órbita exclusiva dos Estados, estabelecendo alguns parâmetros que podem permear as decisões de todas as TVs".

Ela afirmou que a TV pública segue cumprindo seu papel de fazer algo diferente da TV comercial - onde existe uma dependência entre audiência e publicidade - com uma programação mais diferenciada, "voltada para a educação no sentido largo, sem tratar o cidadão como mero consumidor".

Eugênio Bucci notou que a necessidade da comunicação pública ainda não é muito clara: "muitos advogam contra, esperando que a TV pública seja um contraponto para a radiofusão comercial; as alegadas distorções serão corrigidas com contra-distorções, vinculadas a governos que se dizem vítimas da mídia".

"A resposta a qualquer má informação é a busca do bom jornalismo. Não é o uso de uma emissora por uma autoridade que vai trazer a verdade, só vai agravar a mentira. Apenas o direito a informação justifica a existência da radiodifusão pública em geral", completou Bucci.

Ele ainda afirmou que nesse caminho, o partidarismo ganha significado especial, pois nas emissoras públicas "o governismo é partidarismo com agravante, porque tem o fomento da emissora pública. Isso gera consequências como clientelismo e apropriação privada de bens públicos. Não podemos cair na ilusão de que o governo será um patrocinador de uma comunicação pública de qualidade".

Cruvinel e Markun defenderam a destinação de recursos do Estado para a sustentação de emissoras públicas. Lins da Silva indagou os participantes sobre a possibilidade de um financiamento similar ao da rede norte-americana PBS, que baseia-se em doações dos telespectadores.

Markun afirmou que o ideal é que a sociedade pague a conta da comunicação pública, mas não acredita que o público brasileiro já esteja pronto para contribuir voluntariamente com isso.

Já a diretora da EBC afirmou que o modelo da PBS é interessante, mas ressaltou que o orçamento da emissora também recebe recursos públicos. "O Estado ter participação é importante. Não acho que aí está o problema, desde que sejam criados mecanismos para que ele [governo] não faça disso, o aporte de recursos orçamentários, uma condição para querer manipular e controlar", afirmou.

Os debatedores lembraram que as emissoras comerciais também são mantidas por recursos públicos, já que o custo da veiculação dos comerciais é, segundo eles, repassado aos consumidores no preço dos produtos anunciados.