TV aberta está franco em declínio, diz especialista norte-americano
TV aberta está franco em declínio, diz especialista norte-americano
Segundo Eli Noam, professor da Columbia Business School e diretor do Columbia Institute for Tele-Information, algumas emissoras vão continuar muito importantes como produtoras de conteúdo, mas o espaço para a transmissão terrestre será bem pequeno. A expansão da banda larga está tomando espaço da TV aberta, e não há como reverter essa tendência.
Noam, que participará na próxima sexta-feira (6), do Painel Telebrasil, na Bahia (BA), preferiu não comentar a situação específica do Brasil. Mas o embate entre radiodifusores e operadoras de telecomunicações está bem presente por aqui. Na definição do sistema de TV digital, há dois anos, os radiodifusores venceram, ao ser escolhido o sistema japonês, que permite, entre outras coisas, transmitir vídeo para celulares de graça, no próprio canal de televisão. Outro exemplo disso é a dificuldade em se modificar a lei de 1995 que impede a entrada das concessionárias locais no mercado de TV a cabo.
Apesar de as operadoras de telecomunicações terem um poder econômico maior, o poder político está nas mãos dos radiodifusores. "Num sistema democrático, eles são essenciais ao processo eleitoral", afirmou Noam.
O professor deu como exemplo o caso da TV a cabo nos Estados Unidos. "Nos EUA, os radiodifusores tentaram, por alguns anos, restringir a TV a cabo, e não tiveram sucesso", explicou. "Hoje, somente 15% das residências americanas recebem televisão pelo ar. Isso não tornou os radiodifusores desimportantes, mas, claramente, as três grandes redes - ABC, NBC e CBS - tornaram-se entidades menos dominantes".
A audiência dos canais tradicionais caiu consideravelmente, mesmo com sua presença no cabo e no satélite. A televisão via internet acelera o processo de declínio da TV aberta.
Uma explicação para isso é que são poucos os programas que os espectadores sentem necessidade real de assistir ao mesmo tempo que todo mundo. "Não existem muitos exemplos de que as pessoas precisam assistir televisão em tempo real", disse o professor. "Mesmo no noticiário, se não falamos de um evento como o 11 de setembro, mas de coisas como uma pessoa importante que morreu, pediu demissão ou foi eleita, a urgência é diferente para perfis diferentes de públicos. A audiência vai se decompor consideravelmente. O denominador comum do conteúdo em tempo real não é muito grande".
Com informações do Estadão
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