Toninho Spessoto fala sobre mercado fonográfico, "jabá" e internet no "IMPRENSA na TV"
Toninho Spessoto fala sobre mercado fonográfico, "jabá" e internet no "IMPRENSA na TV"
Mercado fonográfico, avanço tecnológico, a grande mídia brasileira e o fenômeno de downloads, estes foram alguns dos assuntos discutidos pelo jornalista Toninho Spessoto, convidado do programa "IMPRENSA na TV" desta segunda-feira (19).
Spessoto, que também é colunista do Portal IMPRENSA, abriu a discussão comentando a crise que assola a indústria fonográfica e provoca a corrida por novos talentos que estejam dispostos a aceitar todas as exigências dos grandes selos para conseguir algum espaço na mídia. O jornalista apontou a pirataria como a principal causa da crise do mercado. Para ele, no entanto, as gravadoras não são vítimas, mas agentes desse fenômeno. "Se isso [pirataria] acontece é por culpa das gravadoras que fazem negócios escusos e do seu sistema de prensagem muito frágil, que permite fraudes na hora de distribuir um CD".
Ele lembrou que a crise dos grandes selos possibilitou a ascensão de fenômenos criados na internet, mas salientou que este tipo de artista que desponta do underground corre o risco de sumir em pouco tempo por conta da volatilidade do mainstream . "O cara até chega a aparecer, mas para tocar nas rádios precisa de 'jabá'". Na concepção de Spessoto, "jabá" "não se trata apenas de pagamentos em dinheiro, mas de todo o tipo de favorecimento". "Você pod enão pedir dinheiro, mas aceita um carro pra sortear pros ouvintes", disse.
Quando questionado pela apresentadora Thaís Naldoni sobre o motivo do sistema de venda de músicas pela Internet não ter sido bem sucedido no Brasil, Toninho lembra que além da questão de organização, um dos traços da cultura do brasileiro não permite a expansão deste tipo de seguimento. "O cara passa na banca e vê cada CD a cinco reais. O que você acha que ele vai fazer?". Como exemplo, Spessoto citou o fechamento da Usina do Som, site do Grupo Abril que disponibilizava músicas online para o mercado brasileiro. "Eles [Usina do Som] colocaram dez mil títulos de um dia pro outro. Quando isso aconteceu, eu vi que não ia prestar".
Para Spessoto, a imprensa tem um papel de extrema importância no combate ao lançamento de artistas que nada acrescentam ao ramo e que, desse modo, fica a cargo do jornalista "filtrar" o que realmente é arte dos que estão interessados apenas em aparecer. "Nós estamos em uma realidade que permite que o jornalista especializado filtre tudo que aparece. O jornalista tem que ser absolutamente isento, mas abrir espaço para gente nova".
Spessoto falou, ainda, sobre o mercado independente popular que cresce paralelo a grande mídia, mas que em determinado ponto é absorvido por ela. "O negócio do funk começou com uma conotação social, mas se distorceu de tal forma para agradar o público em geral que hoje existe espaço para mulher melancia e coisas do tipo".
Ao final do programa, Thaís Naldoni noticiou, ainda, o pedido da Federação Paulista de Futebol (FPF) que visa proibir entrevistas de rádios nos gramados do Campeonato Paulista de Futebol 2009. Diante da notícia, Spessoto, que também é radialista, expressou sua opinião sobre o assunto com uma palavra: "sacanagem".
O "IMPRENSA na TV" é exibido, ao vivo, todas as segundas-feiras pela ALLTV, das 15h às 16h e é apresentado pela jornaliista Thaís Naldoni, editora-executiva do Portal IMPRENSA.
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