Jornalismo Investigativo (Abraji). Durante o painel “Reportagens multimídia ganham o Nordeste”, a jornalista Maria Luiza Borges, editora-executiva do Jornal do Commercio, deu um panorama do mercado multimídia, destacando as experiências do veículo .
Dentro do eixo “novas narrativas e plataformas”, a apresentação foi moderada por Angelina Nunes, editora-assistente da editoria "Rio", do O Globo, e coordenadora do grupo de administração pública do jornal e integrante da Abraji. A ideia da mesa era reunir profissionais dos dois maiores jornais locais (JC e Diário de Pernambuco, cuja representante não pôde comparecer) para contar porque investem em reportagens multimídia, como são feitas e quais os efeitos na audiência e rendimento.
“Essa mesa é uma que eu tinha muita curiosidade, inclusive como jornalista, porque, muitas vezes, a gente foca em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília... e esquece de olhar para outros lugares, como o Nordeste, que tem coisas muito interessantes. Nós jornalistas temos obrigação de ver o que está sendo feito lá para tentar adaptar a nossa realidade”, explicou Angelina.
Mudança começa na mentalidade
Maria lembrou que a redação ainda é majoritariamente composta por jornalistas que optaram por trabalhar no impresso, por isso é muito comum ter profissionais com pouca ou mesmo nenhuma intimidade com o mundo digital. “Mudar a mentalidade e tirar o repórter da zona de conforto não é fácil, é quase um trabalho de evangelização. Você encontra uma resistência muito grande”.
Segundo ela, outra grande barreira é fazer o profissional perceber que a linguagem de jornalismo na web não é a mesma do impresso. "Não dá para copiar e colar", resume. Apesar do trabalho que essa transição exige, ela defende que não é uma grande estrutura que define o sucesso da empreitada, mas a equipe em si e a dedicação de cada um. “A nossa [estrutura da área digital] é minúscula. são dois editores, um webdesigner, quatro estagiários e um editor de vídeo".
Crédito: Nos quatro anos de experiência com reportagens multimídia, o JC fez em média dez especiais por ano Como principal case, Maria trouxe o especial "Meninos do Brasil", publicado em julho de 2013. A história foi descoberta quando o jornalista Manoel Erberich voltou ao Brasil dez anos depois de ter sido voluntário no projeto Conviva, ONG com financiamento alemão, que trabalha com meninos de rua e em situação de risco.
A equipe do jornal investigou o que aconteceu com a turma que Erberich conviveu uma década antes. Dos 40 analisados, 25 tiveram suas histórias contadas, mas apenas um terminou os estudos. Os demais ficaram pelo caminho: mortos, presos ou com vários filhos.
"O especial no papel teve 24 páginas e é focado na história de cada personagem. Quando a repórter [Ciara Carvalho] transformou isso para a web ela esqueceu toda a estrutura do papel. Na web o fio condutor foi a história do herói", explicou.
Sobre os bastidores do especial, Maria contou que a equipe foi várias vezes de Recife a Caruaru onde fica a ONG e o morro do qual saiu a maioria dos personagens. "Houve simultaneidade, mas o online toma muito mais tempo. No total foram oito meses de trabalho".
Ao analisar as imagens e áudios gravados, a equipe esbarrou em algumas questões técnicas, como a falta de microfone de lapela que prejudicou algumas entrevistas ou áudios muito bons que não tinham imagens. "A parte de vídeos deu mais trabalho. Não sabíamos que a reportagem ia tomar o tamanho que tomou, saímos para fazer uma ou duas páginas duplas", lembrou.
Segundo Maria, os profissionais aprenderam juntos e se ajudaram em todo o processo, pois houve uma boa troca de informações e confiança entre integrantes de várias áreas, inclusive com a colaboração de parte da equipe do portal NE10, que faz parte do grupo JC.
A profissional mostrou ainda um pouco do especial “Descaminhos”, que teve 24 páginas no impresso, além do online. Feito pela jornalista Roberta Soares, autora do blog “De olho no trânsito”, o especial conta a história das "péssimas" condições das rodovias locais a partir do ponto de vista das pessoas que precisam delas. Maria explicou que a autora da reportagem já tem uma visão muito concreta do futuro do jornalismo, na qual o repórter é multimídia. Por isso ela aprendeu a editar vídeos e planeja conhecer o mundo da programação. "Ela é quase uma redação sozinha", brincou.
Alma é da reportagem
Sempre elogiando os colegas responsáveis pelos especiais da publicação, Maria fez questão de destacar o trabalho dos repórteres. "[Esses especiais] não aconteceriam se não tivéssemos uma incrível equipe de reportagem. É muito custoso em tempo e precisa de muito envolvimento pessoal. E muitas vezes eles nem sabem como empacotar para o multimídia, mas querem fazer".
Apesar de todo esse investimento ter sido principalmente pensando no online, Maria lembra que o papel ainda é fundamental. “Nunca conseguimos viabilizar um especial pelo online. O papel é o que nos sustenta”. Por fim, ela ressaltou que no impresso ou na web, quem manda é o recheio, não a embalagem. “Bom conteúdo sempre vai ser consumido”, conclui.
Dentro do eixo “novas narrativas e plataformas”, a apresentação foi moderada por Angelina Nunes, editora-assistente da editoria "Rio", do O Globo, e coordenadora do grupo de administração pública do jornal e integrante da Abraji. A ideia da mesa era reunir profissionais dos dois maiores jornais locais (JC e Diário de Pernambuco, cuja representante não pôde comparecer) para contar porque investem em reportagens multimídia, como são feitas e quais os efeitos na audiência e rendimento.
“Essa mesa é uma que eu tinha muita curiosidade, inclusive como jornalista, porque, muitas vezes, a gente foca em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília... e esquece de olhar para outros lugares, como o Nordeste, que tem coisas muito interessantes. Nós jornalistas temos obrigação de ver o que está sendo feito lá para tentar adaptar a nossa realidade”, explicou Angelina.
Mudança começa na mentalidade
Maria lembrou que a redação ainda é majoritariamente composta por jornalistas que optaram por trabalhar no impresso, por isso é muito comum ter profissionais com pouca ou mesmo nenhuma intimidade com o mundo digital. “Mudar a mentalidade e tirar o repórter da zona de conforto não é fácil, é quase um trabalho de evangelização. Você encontra uma resistência muito grande”.
Segundo ela, outra grande barreira é fazer o profissional perceber que a linguagem de jornalismo na web não é a mesma do impresso. "Não dá para copiar e colar", resume. Apesar do trabalho que essa transição exige, ela defende que não é uma grande estrutura que define o sucesso da empreitada, mas a equipe em si e a dedicação de cada um. “A nossa [estrutura da área digital] é minúscula. são dois editores, um webdesigner, quatro estagiários e um editor de vídeo".
Crédito: Nos quatro anos de experiência com reportagens multimídia, o JC fez em média dez especiais por ano Como principal case, Maria trouxe o especial "Meninos do Brasil", publicado em julho de 2013. A história foi descoberta quando o jornalista Manoel Erberich voltou ao Brasil dez anos depois de ter sido voluntário no projeto Conviva, ONG com financiamento alemão, que trabalha com meninos de rua e em situação de risco.
A equipe do jornal investigou o que aconteceu com a turma que Erberich conviveu uma década antes. Dos 40 analisados, 25 tiveram suas histórias contadas, mas apenas um terminou os estudos. Os demais ficaram pelo caminho: mortos, presos ou com vários filhos.
"O especial no papel teve 24 páginas e é focado na história de cada personagem. Quando a repórter [Ciara Carvalho] transformou isso para a web ela esqueceu toda a estrutura do papel. Na web o fio condutor foi a história do herói", explicou.
Sobre os bastidores do especial, Maria contou que a equipe foi várias vezes de Recife a Caruaru onde fica a ONG e o morro do qual saiu a maioria dos personagens. "Houve simultaneidade, mas o online toma muito mais tempo. No total foram oito meses de trabalho".
Ao analisar as imagens e áudios gravados, a equipe esbarrou em algumas questões técnicas, como a falta de microfone de lapela que prejudicou algumas entrevistas ou áudios muito bons que não tinham imagens. "A parte de vídeos deu mais trabalho. Não sabíamos que a reportagem ia tomar o tamanho que tomou, saímos para fazer uma ou duas páginas duplas", lembrou.
Segundo Maria, os profissionais aprenderam juntos e se ajudaram em todo o processo, pois houve uma boa troca de informações e confiança entre integrantes de várias áreas, inclusive com a colaboração de parte da equipe do portal NE10, que faz parte do grupo JC.
A profissional mostrou ainda um pouco do especial “Descaminhos”, que teve 24 páginas no impresso, além do online. Feito pela jornalista Roberta Soares, autora do blog “De olho no trânsito”, o especial conta a história das "péssimas" condições das rodovias locais a partir do ponto de vista das pessoas que precisam delas. Maria explicou que a autora da reportagem já tem uma visão muito concreta do futuro do jornalismo, na qual o repórter é multimídia. Por isso ela aprendeu a editar vídeos e planeja conhecer o mundo da programação. "Ela é quase uma redação sozinha", brincou.
Alma é da reportagem
Sempre elogiando os colegas responsáveis pelos especiais da publicação, Maria fez questão de destacar o trabalho dos repórteres. "[Esses especiais] não aconteceriam se não tivéssemos uma incrível equipe de reportagem. É muito custoso em tempo e precisa de muito envolvimento pessoal. E muitas vezes eles nem sabem como empacotar para o multimídia, mas querem fazer".
Apesar de todo esse investimento ter sido principalmente pensando no online, Maria lembra que o papel ainda é fundamental. “Nunca conseguimos viabilizar um especial pelo online. O papel é o que nos sustenta”. Por fim, ela ressaltou que no impresso ou na web, quem manda é o recheio, não a embalagem. “Bom conteúdo sempre vai ser consumido”, conclui.


