TCC de jornalista retrata "Projeto Escreve Cartas" do Poupatempo em Itaquera
O jornalista Luiz Malheiros, de 23 anos, formou-se em 2015 no curso de jornalismo da Universidade de Taubaté (Unitau) com o livro-reportagem
Entrelinhas – Histórias do Projeto Escreve Cartas em Itaquera. A obra narra a rotina desse projeto mantido pelo Poupatempo em algumas unidades paulistanas.
Crédito:Aguinaldo de Jesus e Fernandina Célia/Unitau Malheiros é o terceiro da esquerda para a direitaMalheiros explica a abordagem do TCC. “De um lado, temos voluntários que se dispõem a redigir correspondências e preencher formulários. Do outro lado, estão as pessoas que são analfabetas ou que dominam pouco escrita e precisam se comunicar por meio desse suporte. E foram esses encontros, em meio ao dia-a-dia de São Paulo, que me atraíram. Com o livro, meu objetivo era contar como funciona a relação entre esses dois polos tão diferentes”, afirmou.
Por morar e estudar em Taubaté, a distância de 130 Km entre a cidade do Vale do Paraíba e São Paulo foi um obstáculo. “Coloco a logística como o primeiro desafio. Moro em Taubaté, que fica a uns quilômetros de São Paulo. Além disso, eu mal sabia andar na capital. Quando estava decidindo o tema, creio que só tinha andado uma ou duas vezes de metrô. Não sabia o nome de nenhuma estação. Em segundo lugar, vem a rotina. Como queria ser o mais fiel possível para retratar o dia a dia do Escreve Cartas em Itaquera, era preciso passar o dia todo no projeto, então tinha que faltar no estágio e fazer uma maratona”.
Outra dificuldade enfrentada foi referente à apuração. “Nenhuma entrevista do livro foi marcada previamente. Todas as fontes apareceram e foram embora quando bem entenderam. Tomei essa decisão para deixar o conteúdo mais fiel à verdade do Escreve Cartas”, contou.
Malheiros diz qual foi seu maior aprendizado e comemora a experiência: “A relação entre jornalista e fonte; como fazer as perguntas certas, respeitando o espaço da pessoa; saber a hora de falar, saber a hora de ouvir. Poder vivenciar isso foi um privilégio. Creio que me tornei mais maduro e humano. Como jornalistas, muitas vezes pensamos que só precisamos extrair a informação da fonte e pronto, nosso trabalho está feito. Uma relação fria e direta. No entanto, o TCC me aprofundou num ponto que já considerava antes: do outro lado do gravador, há outro ser humano”.
O jornalista deixou um recado aos graduandos de jornalismo “Planeje e deixe tudo o mais organizado possível, mas não se espante se as coisas saírem dos trilhos. Aliás, spoiler : elas vão sair! Quando isso acontecer, dê um passo para trás e adapte-se à nova situação”, disse.
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