Tapetões e extraterrestres no Americanão

Os democratas ganham na justiça, aumentam a vantagem nas pesquisas e conseguem novas vitórias na imigração

Atualizado em 24/02/2026 às 13:02, por Colunista.

Imagem com fundo de céu estrelado. No centro, há um cartão branco simulando uma postagem em rede social. No topo do cartão aparece o nome Donald J. Trump, com o usuário @realDonaldTrump e a data “February 19, 2026, 8:13 PM”.O texto da postagem diz que, devido ao grande interesse demonstrado, ele estará orientando o Secretário de Guerra e outras agências governamentais a iniciar o processo de identificação e divulgação de arquivos do governo relacionados a vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAP), objetos voadores não identificados (UFOs) e outras informações conectadas a esses temas. A mensagem termina com “GOD BLESS AMERICA!”.

Post em rede social do presidente Trump (divulgação)


Lucas Mendes*

Com US$ 85 milhões em caixa, o ICE comprou prédios em 20 cidades para construir prisões monumentais — algumas para 10 mil presos — lembrando campos de presos japoneses na Califórnia e até de judeus na Europa. Doze projetos em doze cidades já foram rejeitados por líderes democratas e republicanos, por prefeitos, governadores e tribunais. Jogo limpo. 

Mas o campeonato político não está fácil para os democratas nem mesmo com a grande vitória na semana pelo surpreendente placar de 6x3 contra Trump, com três votos republicanos. 
 

Para o New York Times, foi um sinal de independência, já para os democratas e independentes, uma esperança. E para o presidente, uma traição que mereceu fúria e insultos.

Trump: “Uns e outros não me deixam escolher os tarifados? Então, vai ser 10% para o mundo inteiro. Querem dinheiro de volta? Aqui pros cês, oh! E pro Irã? Lá vai mais um porta-aviões. Chumbo neles.” 

No dia seguinte, subiu as tarifas para 15% de A ao Z, do Azerbaijão ao Zimbábue, 194 países na rede Trump, uma penca de dúvidas e dívidas caras para os tarifados e os que pagaram as contas.

Trump precisa das tarifas para cobrir o déficit americano, pagar seus projetos bilionários, mas suas mudanças, agressões e tantas ameaças ainda não mudaram os números nem justificam ou aliviam o fracasso econômico no primeiro ano de mandato. 

O número de empregos gerados em qualquer um dos meses de 2024, ano Biden, foi maior que TODOS os empregos gerados no primeiro ano inteiro de Trump. Em 2025, a economia do país cresceu menos que no último ano de Biden e a inflação continuou acima de 2%. 

Números positivos notáveis e históricos foram os lucros bancários e os investimentos empresariais em tecnologia, mas nenhum deles significa crescimento econômico, empregos ou benefícios para a classe média ou para os pobres.


Estado da União

Se o presidente não tivesse passado o ano promovendo o nome Trump, jogando golfe, tuitando, fazendo mutretas bilionárias e demolidoras reformas douradas na Casa Branca, talvez estivesse melhor nas pesquisas. 

Nem ele estaria neste esforço desesperado e consumidor para se livrar do maldito Arquivo Epstein que ele, em busca de votos, prometeu liberar durante a campanha. Agora o arquivo já é conhecido como The Trump Epstein Files. 

No choque da derrota no supremo e da prisão do ex-príncipe Andrew, da coroa inglesa, Trump liberou no fim de semana o arquivo até agora secretíssimo sobre extraterrestres. UhhUUuuuu... 

Se nenhum deles aparecer, Trump vai precisar de outros tapetões para seu discurso sobre o Estado da União hoje à noite para tentar mudar o placar de 61% a 39% nas pesquisas* do Americanão. ◼

 

*Fonte: NBC News Decision Desk, 27/01 a 06/02/2026.
 

Lucas Mendes é jornalista, fundador e apresentador do programa Manhattan Connection, criado em 1993. Em 2015, foi agraciado com o Prêmio Maria Moors Cabot, o mais antigo prêmio internacional de jornalismo dos Estados Unidos. 
Lucas escreveu a coluna “Manhattan” para a revista IMPRENSA de 1991 a 1994.