Tapetões e extraterrestres no Americanão
Os democratas ganham na justiça, aumentam a vantagem nas pesquisas e conseguem novas vitórias na imigração
Post em rede social do presidente Trump (divulgação)
Lucas Mendes*
Com US$ 85 milhões em caixa, o ICE comprou prédios em 20 cidades para construir prisões monumentais — algumas para 10 mil presos — lembrando campos de presos japoneses na Califórnia e até de judeus na Europa. Doze projetos em doze cidades já foram rejeitados por líderes democratas e republicanos, por prefeitos, governadores e tribunais. Jogo limpo.
Mas o campeonato político não está fácil para os democratas nem mesmo com a grande vitória na semana pelo surpreendente placar de 6x3 contra Trump, com três votos republicanos.
Para o New York Times, foi um sinal de independência, já para os democratas e independentes, uma esperança. E para o presidente, uma traição que mereceu fúria e insultos.
Trump: “Uns e outros não me deixam escolher os tarifados? Então, vai ser 10% para o mundo inteiro. Querem dinheiro de volta? Aqui pros cês, oh! E pro Irã? Lá vai mais um porta-aviões. Chumbo neles.”
No dia seguinte, subiu as tarifas para 15% de A ao Z, do Azerbaijão ao Zimbábue, 194 países na rede Trump, uma penca de dúvidas e dívidas caras para os tarifados e os que pagaram as contas.
Trump precisa das tarifas para cobrir o déficit americano, pagar seus projetos bilionários, mas suas mudanças, agressões e tantas ameaças ainda não mudaram os números nem justificam ou aliviam o fracasso econômico no primeiro ano de mandato.
O número de empregos gerados em qualquer um dos meses de 2024, ano Biden, foi maior que TODOS os empregos gerados no primeiro ano inteiro de Trump. Em 2025, a economia do país cresceu menos que no último ano de Biden e a inflação continuou acima de 2%.
Números positivos notáveis e históricos foram os lucros bancários e os investimentos empresariais em tecnologia, mas nenhum deles significa crescimento econômico, empregos ou benefícios para a classe média ou para os pobres.
Estado da União
Se o presidente não tivesse passado o ano promovendo o nome Trump, jogando golfe, tuitando, fazendo mutretas bilionárias e demolidoras reformas douradas na Casa Branca, talvez estivesse melhor nas pesquisas.
Nem ele estaria neste esforço desesperado e consumidor para se livrar do maldito Arquivo Epstein que ele, em busca de votos, prometeu liberar durante a campanha. Agora o arquivo já é conhecido como The Trump Epstein Files.
No choque da derrota no supremo e da prisão do ex-príncipe Andrew, da coroa inglesa, Trump liberou no fim de semana o arquivo até agora secretíssimo sobre extraterrestres. UhhUUuuuu...
Se nenhum deles aparecer, Trump vai precisar de outros tapetões para seu discurso sobre o Estado da União hoje à noite para tentar mudar o placar de 61% a 39% nas pesquisas* do Americanão. ◼
*Fonte: NBC News Decision Desk, 27/01 a 06/02/2026.

Lucas Mendes é jornalista, fundador e apresentador do programa Manhattan Connection, criado em 1993. Em 2015, foi agraciado com o Prêmio Maria Moors Cabot, o mais antigo prêmio internacional de jornalismo dos Estados Unidos.
Lucas escreveu a coluna “Manhattan” para a revista IMPRENSA de 1991 a 1994.





