"Sou fundamentalmente contra jornalista que faz merchandising", diz Mauro Beting, da Band
"Sou fundamentalmente contra jornalista que faz merchandising", diz Mauro Beting, da Band
"Sou fundamentalmente contra jornalista que faz merchandising ", diz Mauro Beting, da Band
PorTriplamente apaixonado: pelo Palmeiras, pelo Jornalismo e por música, necessariamente nessa ordem. Esse é Mauro Beting, conhecido por ser comentarista de futebol em diversos veículos de comunicação e, assumidamente, palmeirense. Em contato com a profissão desde cedo, Mauro começou a frenquentar redações de jornais e TVs com o pai, Joelmir Beting, aos seis anos de idade. Desde então, decidiu seguiria mesmo ser jornalista, "para desespero da mãe", como ele mesmo diz.
Formado também em Direito, o jornalista começou a carreira na TV Bandeirantes, passando ainda pelo jornal Folha da Tarde , como repórter político, e pela rádio Brasil 2000 FM, como crítico musical, até surgir a oportunidade de se dedicar de vez ao jornalismo esportivo. Antes da Copa de 1990, ainda na Folha da Tarde , o então editor de Mauro pediu que escrevesse uma reportagem sobre os sete anos da morte do jogador Garrincha, já que todos sabiam de seu gosto apurado pelo futebol. Com o trabalho aprovado, o jornalista foi convidado para ir à Itália, país que receberia os jogos daquela edição do evento, para fazer a cobertura, pois além de conhecer o esporte, falava muito bem italiano - sua família é tradicionalmente italiana. Esse foi, definitivamente, o passaporte de Mauro para a área que, até hoje, "pagaria para trabalhar".
Aos poucos, sob o aval do editor, Beting desenvolveu sua habilidade para a "coisa" e entrou para o time de colunistas do jornal, até que foi chamado para trabalhar como comentarista na TV e Rádio Gazeta. Hoje, atua como apresentador e comentarista na Band. Além da emissora, o jornalista dedica seu tempo também à TV Esporte Interativo, à BandSports, onde comanda dois programas, sendo um ao lado de seu pai, ao jornal, TV e rádio Lance! , mantém um blog no LanceNet, é colunista da revista Trivela e do portal Yahoo, além de escrever para mais três sites especializados em futebol. Confira, abaixo, a entrevista.
Portal IMPRENSA - Você, diferentemente de outros comentaristas esportivos, assume publicamente torcer pelo Palmeiras, ou seja, não "esconde o jogo". Por que tomou essa decisão? O que acha da imparcialidade e parcialidade do jornalismo?
Mauro Beting - Eu sou palmeirense, palestrino, de pai e mãe. Só não sou de avô e bisavô porque o clube foi criado bem depois de serem nascidos [1914]. E eu sou daqueles palmeirenses barulhentos, meus amigos sempre souberam. Eu me considero sempre um palmeirense jornalista e não um jornalista palmeirense. Todos torcem pra algum time, o treinador tem seu time, até os dirigentes, hoje, têm seus times. Tem que tentar ser isento, parcial, objetivo, e vestir sua camisa da melhor forma possível. Eu acho que o jornalista tem que ser o mais imparcial, mas a gente, simplesmente, não é. A própria palavra editar, edição, significa escolher, ser parcial. Inventar um time que não existe, para falar que torce pra um time menor, não é comigo, eu torço pro Palmeiras e pronto. Eu acho legal abrir o jogo para o público para o cara saber. Quando você abre o jogo, é muito melhor, as pessoas se sentem defendidas ou representadas, no sentido de "se aquele cara assume um time, eu também vou assumir". Até porque eu sou extremamente crítico com meu próprio time, até tentando ser imparcial com o meu time, acabo sendo parcial ao contrário. Eu tenho muito mais problemas com a torcida do Palmeiras do que com outras torcidas. Mas eu também respeito quem não abre o jogo. Você pode trocar de tudo, só não pode trocar de time.
IMPRENSA - O que acha da tensão que pode haver, e que já houve, entre comentaristas de futebol?
Beting - Eu lamento muito, porque o que era pra ser um confronto de idéias, pensamentos, condutas, virou briga de interesses. O lugar de debater opiniões é um simpósio e não em canais abertos de televisão. Isso acaba só interessando a eles e aos advogados deles, e não ao público. Se fosse um debate pra levantar o nível da nossa imprensa, que está abaixo do do futebol, seria uma coisa extremamente positiva, mas virou um duelo de advogados. Aí, todos perdem, com ataques meramente pessoais e não profissionais.
IMPRENSA - E com relação ao merchandising ?
Beting - Eu sou fundamentalmente contra jornalista que faz merchandising . Meu pai fez isso por muito tempo e só por isso eu respeitei. E eu digo: se meu pai vendesse apartamento da construtora do Sergio Naya, eu compraria o primeiro andar, pela credibilidade de jornalista dele e pela pessoa que ele é. Mas eu não faço. Eu não vou patrulhar ninguém, nem quero ser patrulhado.
IMPRENSA - Entrando no assunto de sua especialidade, o que acha da campanha do futebol brasileiro feminino e masculino nas Olimpíadas de Pequim?
Beting - Eu acho muito boa, dentro do possível. O futebol feminino tem atletas admiráveis e o masculino também, tanto que as mulheres se preparam mais que os homens. O futebol brasileiro ainda é tão talentoso que você monta o time que for, com elenco técnico, teoricamente, muito bom, que mesmo sem entrosamento, sem preparação, sem planejamento, é capaz de voltar com um ouro. E também se não voltar, faz parte do negócio. Mas dessa vez, eu estou bastante confiante de que a gente possa brigar por isso e ganhar o ouro nas duas seleções.
IMPRENSA - E o que acha da atuação de atletas estrangeiros em times nacionais?
Beting - Não tem outro jeito, porque, cada vez mais, o esporte pede mão-de-obra qualificada antes da hora, e não é só uma questão da nossa base esportiva, mas da realidade econômica do país. O Brasil vende jogador pra Polônia, Emirados Árabes. A nossa economia não se compara com a de outros países, não tem como, se não tem dinheiro, não dá pra pagar, não só no futebol. É uma pena; eu sou do tempo que o jogador ficava 15 anos no mesmo clube. Hoje, se ele ficar 15 meses já é uma maravilha. A gente perde mão-de-obra qualificada jovem, mas também trazemos argentinos, chilenos, equatorianos. É o que dá pra fazer.
IMPRENSA - Em julho, você participou como DJ de uma festa em uma balada de rock, em São Paulo (SP). Como foi a experiência? Gostaria de fazer de novo?
Beting - Eu sou apaixonado por música. Escrevo, trabalho, leio, sempre ouvindo música. Eu comandava um programa de uma rádio, tocando músicas alternativas e dos anos 60. Vez ou outra eu até faço referências musicais nos meus programas. Aí, o pessoal do lugar viu meus programas e me fez o convite. Eu tenho o gosto muito eclético, gosto de música napolitana, rock, blues... Só não gosto de pagode e sertanejo. Por mim, eu teria ficado lá a noite inteira tocando, foi uma experiência maravilhosa. Adoro fazer esse tipo de coisa!






