´´Socorro, alguem me ORKUT !!!`` / Por Danilo Barra, estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu

´´Socorro, alguem me ORKUT !!!`` / Por Danilo Barra, estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu

Atualizado em 18/05/2005 às 17:05, por Danilo Barra - Universidade São Judas Tadeu.

´´Socorro, alguem me ORKUT !!!`` / Por Danilo Barra, estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu



Encontrar pessoas das quais você nem se lembrava ou pessoas dizendo-se seus amigos, receber elogios e admiradores são fatos comuns no ORKUT. A partir daí surgem pontos curiosos e preocupantes desta ferramenta de relacionamento: ficar conectado por várias horas aguardando uma mensagem de alguém, acessar o site muitas vezes ao dia deixando de executar tarefas comuns e não conseguir ignorar e rejeitar pessoas desconhecidas ou desagradáveis, candidatos a amigos.
Criado por Orkut Buyukkokten, engenheiro turco e funcionário do Google, o site de relacionamento visa integrar internautas de acordo com seus gostos e estilos. Os 28 temas das comunidades variam entre música, religião, esportes, comida e política. Os usuários entram por meio de convites, criam sua página e desenvolvem suas comunidades, interagindo entre amigos e admiradores.
O Brasil é o líder em internautas no ORKUT com 3,1 milhões, representando 66% dos 4,8 milhões de usuários do site, seguido dos americanos (8,5%) e iranianos (6,7%).
Mas a diversão pode se tornar um problema. Apesar de ser positivo, devido ao fato de aproximar as pessoas, complica-se por ser viciante. O psicólogo Fernando Falabella, 33, compara o usuário do ORKUT a um usuário de drogas. ´´Eu tive uma paciente em depressão por conta de seu computador ter quebrado e a mesma ficar sem acesso ao ORKUT, fato comparável a usuários de drogas quando estão em abstinência da química``, lembra Fernando.
A estudante Evelyn Barra integra a lista de usuários do ORKUT à dez meses e segundo ela, ´´o sistema é muito limitado, um site de bate-papo te proporciona mais contato com outras pessoas, só é interessante pelo fato da listagem de amigos``.
Alarmante é o fato de usuários passarem o dia todo conectados até no trabalho esperando mensagens de outras pessoas, enfatizando o narcisismo, explica Fernando.
´´O Orkut supre uma carência de certas pessoas, principalmente os mais tímidos, mas é preciso ficar ligado, pois a ferramenta não pode ser usada como válvula de escape, é necessário o convívio real com pessoas``, alerta Fernando.
A polêmica principal dos sites de relacionamento é o fato da influência no dia-a-dia do usuário, conforme relata Evelyn, ´´O ORKUT influi diretamente no meu cotidiano, pois eu sinto necessidade de entrar na ´net` toda hora para ver se alguém deixou algum recado pra mim e isso acaba tirando o tempo o qual eu poderia estar lendo um livro``. É quando deixa de ser interessante para se tornar uma necessidade.
A preocupação gerou até uma comunidade: a GAVO (Grupo de Apoio aos Viciados no ORKUT). A comunidade criada em tom de brincadeira quando o ORKUT saiu do ar durante um dia todo, hoje recebe mensagens de pessoas pedindo ajuda.
´´Eu deixava de adiantar roteiros, pautas com convidados para usar o Orkut e quando a empresa bloqueou a página, aqui na produção ficamos péssimos``, relata Valter, 26, produtor de tv.
De cinco usuários entrevistados, quatro já passaram pela fase compulsiva do Orkut. Não conseguir dizer não à pessoas desconhecidas afeta negativamente o psicológico das pessoas, é extremamente importante no convívio pessoal, ´´ao vivo``, explica Fernando.
A psicologia explica o fator viciante do Orkut, pois remete ao desejo e curiosidade de saber da vida do outro; o fato de não ser crônico, instantâneo, aproximam as pessoas.
´´As pessoas devem se policiar, pois cada um deve ter controle sobre seus acessos e assim evitar qualquer risco da perda do controle``, finaliza Fernando