ortiva e dos seus consumidores: o goleiro Aranha, do Santos, foi alvo de críticas racistas por parte da torcida do Grêmio. Em uma imagem flagrada pela câmera do canal a cabo ESPN Brasil é possível ver uma torcedora chamando Aranha de "macaco". Além disso, outros torcedores - inclusive um negro - imitaram sons de macaco em direção ao atleta.
O gesto revoltou o goleiro do Santos, que, visivelmente chateado, falou sobre o caso após o apito final: “Isso dói, dói, dói. Não é possível”, disse. A justiça, desta vez, funcionou. O Grêmio foi excluído da Copa do Brasil e multado em cinquenta mil reais por decisão Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
Por outro lado, Patrícia Moreira, a torcedora flagrada pela imagem da ESPN Brasil chamando o goleiro de “macaco” perdeu o emprego – era auxiliar de odontologia – teve a casa apedrejada e sofreu ameaças nas redes sociais e, no início de setembro, teve parte de sua residência incendiada. Não bastasse tudo isso, a jovem convocou a imprensa para pedir desculpas ao goleiro pessoalmente. Aranha declinou do pedido e exaltou o papel da mídia na cobertura do caso. “Agradeço à imprensa por repassar todas as informações. Precisamos ter coragem para combater isso (...) Não sou amigo dela, não tenho interesse em conhecê-la. Perdoo, mas vai pagar pelo que fez.”, disse o goleiro.
O desfecho deste caso parecia resolvido até Pelé, ele mesmo, dar sua opinião. Para surpresa de todos, o Rei disse: “O Aranha se precipitou em querer brigar com a torcida. Se eu fosse querer parar o jogo a cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo", desafinou o Pelé. As reações foram imediatas. A mais feroz delas veio de quem pouco se esperava: Ronaldo, o Fenômeno, sempre avesso às grandes polêmicas, disse: “Achei desastroso [o que disse Pelé]. A pessoa sofre um ato de racismo, ela tem que denunciar, fazer valer o seu direito de cidadão”, vociferou.
Parecia que a história, enfim, teria um final de bom senso, ético, condizente com um país que busca superar suas limitações. Mas eis que no meio do mês passado, na véspera de um novo jogo entre Grêmio e Santos, desta vez pelo Campeonato Brasileiro de Futebol, nosso técnico na Copa do Mundo e atual técnico do Grêmio, Luis Felipe Scolari, pediu para o jornalista João Paulo Fontoura, assessor de imprensa do Grêmio, dizer aos jornalistas que cobriam o treino do time “Vê se eles [os jornalistas] vão cair na esparrela do Aranha de novo. Fala com eles, diz para eles”, afirmou Felipão.
Dessa vez, nós, da imprensa tentamos. Mas o Rei do Futebol e o ex- técnico da Seleção resolveram contrariar a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Então tá!



