SIP critica demora em resolução da censura ao jornal O Estado de S.Paulo

SIP critica demora em resolução da censura ao jornal O Estado de S.Paulo

Atualizado em 02/09/2009 às 09:09, por Redação Portal IMPRENSA.

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) criticou a demora do Judiciário brasileiro em resolver a censura prévia ao jornal O Estado de S.Paulo . Segundo Ricardo Trotti, coordenador da Comissão de Liberdade de Imprensa da organização internacional, a Justiça deveria dar prioridade ao caso, para evitar impactos sobre o direito à expressão e informação no país.

"Quando a liberdade de imprensa está em risco, quando está em questão o direito das pessoas de saberem, o Judiciário deveria ser mais rápido, de forma a garantir um direito fundamental da democracia, que é a liberdade de expressão", disse Trotti.

Desde o dia 31 de julho, por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), o jornal está proibido de veicular informações sobre a "Operação Boi Barrica", que apura supostas irregularidades cometidas por Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP).

Na avaliação da SIP, sediada em Miami, a mesma decisão do TJ dificilmente poderia ter vigência em outro país. "Aqui nos Estados Unidos, por exemplo, você teria uma enorme dificuldade de ver um juiz impondo uma restrição deste tipo à imprensa. A liberdade de imprensa é culturalmente muito valorizada. No Brasil, talvez, este conceito não tenha sido assimilado da mesma forma pelos magistrados", declarou Trotti.

O coordenador do órgão internacional de imprensa ainda ressaltou que, embora a Justiça tenha dificuldade em decidir, em casos que envolvem governistas e autoridades públicas ela adquire outro enfoque. "No Brasil, o Judiciário parece mais concentrado em proteger a reputação dos membros do governo", criticou Trotti.

Segundo o membro da SIP, a relação entre poder público e Judiciário deverá ser um dos temas de discussão do fórum de liberdade de imprensa proposto pela organização na América do Sul. O evento está previsto para o próximo dia 18 de setembro, em Caracas, capital da Venezuela.

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