Segurança pública
Segurança pública
Revista IMPRENSA - As milícias são, atualmente, a principal mácula na do Rio de Janeiro?
Rodrigo Pimentel - Havia uma grande tolerância até o caso [da favela] do Batan, que foi um divisor de águas [quando uma reportagem de O Dia se infiltrou na comunidade para fazer uma reportagem e acabou descoberta pelos milicianos]. Até então tinha muita gente namorando com milícias, até político. Diziam que eram "forças de segurança organizadas unidas", que era uma "autodefesa comunitária" e muitos sinônimos interessantes. Mentira. São criminosos. Eles seduziam porque expulsavam o tráfico num primeiro momento - até a CPI provar uma coisa que o carioca não sabia: a maioria das milícias no Rio foram estabelecidas em comunidades onde não tinha tráfico. E com um apoio político muito forte. Os milicianos que chegaram a uma função política, como [o inspetor falecido da polícia civil] Felix [Tostes], Nadinho [apelido do vereador assassinado Josinaldo Francisco da Cruz], [o vereador Cristiano] Girão, que está preso, [a vereadora cassada] Carminha Jerominho, Natalino [Guimarães, deputado estadual]... Todo eles operavam com a máquina administrativa do poder executivo e conseguiam benfeitorias para os bairros. Mas se você pensar que o crime organizado hoje é um crime que tem simbiose com o poder estatal, que tem hierarquia rígida e atividade econômica diversificada, você percebe que o Comando Vermelho e o Terceiro Comando nunca foram organizados, nem pseudo-organizados. Organizadas de fato são as milícias, que são cem vezes mais perigosas para a sociedade do que o narcotráfico.
IMPRENSA - Mas ainda assim é mais difícil as UPPs entrarem nas comunidades da Zona Norte do que nas das milícias.
Pimentel - Bom, não sou que estou realizando o plano, eles devem ter razão para isso e um pessoal qualificado - o governador diz que não está se envolvendo na escolha dessas comunidades -, mas eu gostaria que para cada comunidade de tráfico ocupada por UPP, uma de polícia também fosse ocupada. O planejamento tem contemplado mais favelas de narcotráfico. Parece que ainda tem gente na cúpula da que acha que milícia é um mal menor. E efetivamente não é. O homicídio no Rio de Janeiro está estabilizado ou caindo em boa parte das regiões, mas está aumentando na Zona Oeste, que é região de milícia. Tem outro argumento que, para mim, é devastador: o narcotráfico no Rio nunca fez um deputado ou um vereador. Nunca fez mesmo! "Ah, mas tem o Chiquinho da Mangueira que pediu ao 4° Batalhão para sair da comunidade." Nunca foi representante do narcotráfico. Nunca foi e ponto final. Pode ter, sim, pedido para a PM não fazer operação, mas porque era uma coisa pouco razoável, de dia, com um monte de estudante andando na rua. Mas ele não era representante do Comando Vermelho na Mangueira. Ele foi eleito por conta das ações esportivas que ele realizava na região do Maracanã.





