Se apresentar como frila é um dos melhores caminhos, indicam autoras de "A Vaga é Sua"

Se apresentar como frila é um dos melhores caminhos, indicam autoras de "A Vaga é Sua"

Atualizado em 30/08/2010 às 15:08, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

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Queda da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo; jornais centenários fechando as portas ou extinguindo suas versões impressas; dezenas de faculdades produzindo milhares de profissionais e promessas de colocação. Tudo isso enquanto o próprio mercado de imprensa se vê as voltas com o desafio de entender o fenômeno de convergência de mídias encabeçado pela ainda incompreendida Internet.

Divulgação
Ana Estela e Cristina

Essa sensação de desamparo coletivo motivou as jornalistas Ana Estela de Souza Pinto e Cristina Moreno de Castro a tentarem sinalizar o que acreditam ser alguns dos caminhos para o sucesso na profissão. Tais dicas foram compiladas no livro "A Vaga é Sua", lançado no último sábado (28), em São Paulo (SP), pela Publifolha.

Para preencher as 176 páginas de uma obra que intenta auxiliar o jornalista a conseguir uma vaga e ser bem-sucedido, foram analisados dúvidas e questionamentos postados no blog "Novo em Folha", que serve como extensão do Curso de Treinamento do jornal Folha de S.Paulo , coordenado por Ana Estela, que participou de sua 1ª turma, há 22 anos, e que conta com a colaboração da recém-formada Cristina, ex-aluna da 45º turma do preparatório.

Sobre a viabilidade do envio de currículos, um dos pontos abordados pelo livro, Ana Estela pontua que a isonomia do veículo é determinante. "Funciona se o veículo tiver como uma de suas fases de seleção a análise do currículo. Mas acho que não é só em Jornalismo que existe essa questão da indicação, mas, certamente, em várias redações, a indicação é um fator importante e nem sempre é pelo motivo errado. É porque o editor está procurando alguém que resolva o problema dele. Se o editor então tem um indício de que aquela pessoa vai chegar sabendo resolver. É uma espécie de selo de garantia", explica.

Para Ana, mais funcional que o envio de currículo, sobretudo para o jornalista em início de carreira, é se apresentar por meio de sugestão de pautas. "Se oferecer como frila acho que é uma boa forma de ganhar não só experiência, mas contatos".

Lembrada sobre a extinção da versão impressa do Jornal do Brasil como um possível indicativo da fragilidade do setor, Ana observa que o caso da publicação carioca não pode ser tomado como um exemplo. "Olha, eu não sei dizer o que vai acontecer com os jornais impressos. Mas o JB certamente não está acabando por causa da crise dos impressos ou pelo surgimento da Internet. O JB está acabando por problema de gestão que se arrastava por anos. E antes que a Internet fosse inventada, vários jornais fecharam", sublinhou, lembrando que, no Brasil, a circulação de jornais está estabilizada.

"Sabe que, há dez anos, eu disse: em cinco anos não tem mais jornal impresso. Como eu já errei de longe, então eu não faço mais previsões (risos)", brinca a jornalista.

Segundo ela, em termos gerais, "as pessoas que querem trabalhar em Jornalismo não acompanham os jornais, não acompanham o noticiário. E essa é uma deficiência séria. As pessoas deveriam ler mais, elas não lêem o suficiente".

Cristina reafirma a máxima de se oferecer para o mercado como forma eficiente de se apresentar, mas ressalva que, na verdade, "cada um tem um caminho. Não tem uma regra. Tem a pessoa que fica batendo de porta em porta; tem gente que conhece alguém da área. O importante é você se fazer conhecer e apresentar o seu trabalho. É se mostrar com um portfólio legal, com um currículo legal. Desde a faculdade buscar alternativas. Enfim, não conseguiu estágio? Monte um blog; faça um projeto com algum colega; converse com os professores. Porque só mostrando serviço é que você vai conseguir", indica a jornalista, formada pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Além de elencar dicas do que um foca vai encontrar no mercado, o "A Vaga é Sua" traz depoimentos de nomes de peso do Jornalismo, como Boris Casoy, Juca Kfouri, Marcelo Tas, José Hamilton Ribeiro, Milton Jung, Eliane Cantanhêde, Eliane Brum, Laurentino Gomes, entre outros, que relataram às autoras o dia a dia nas redações, os principais imbróglios da profissão e como conseguiram construir uma carreira bem-sucedida.

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