RSF cita presidente Lula ao criticar morte de prisioneiro cubano

RSF cita presidente Lula ao criticar morte de prisioneiro cubano

Atualizado em 24/02/2010 às 15:02, por Redação Portal IMPRENSA.

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou um comunicado nesta quarta-feira (24), lamentando a morte do prisioneiro cubano Orlando Zapata. Condenado à prisão em 2003 por "desordem pública", ele protestava contra as condições de sua detenção e fazia greve de fome há 80 dias.

Zapata foi preso no mesmo ano que o "grupo dos 75", que reunia dissidentes, jornalistas e ativistas em favor da democracia e dos direitos humanos em Cuba, em uma onda de repressão conhecida como "Primavera negra".

Para a RSF, este não foi o primeiro nem o último escândalo da "tirania" cubana. "É afortunado e desejável que a democracia latinoamericana avance na busca de sua unidade, tome corpo em uma verdadeira alternância eleitoral, reconquiste os recursos há tempo usurpados, mas também examinem um passado doloroso".

A organização cita, em seu comunicado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi sindicalista e "vítimas dos militares no passado". "O presidente brasileiro não tem realmente nada a dizer quando um opositor cubano morre na prisão?", questiona a RSF.

"Ele poderia. Deveria. Mas em Cuba, tratando-se da 'revolução', se proíbem todas as ingerências e se autorizam todas as hipocrisias (...) Criticar o Estado cubano e seu funcionamento é insultar o país (...) Denunciar a morte de Orlando Zapata é defender 'um mercenário do império' [norte-americano] que queria reescrever a história da ilha", responde.

"Outorgar o prestigioso prêmio espanhol Ortega y Gasset à blogueira cubana Yoani Sánchez é urdir um complô motivado pela nostalgia colonial. Perguntar quando os cubanos podem enfim eleger seus dirigentes é dizer que a Grã Bretanha e Suécia são monarquias. Irrisória má-fé de um regime que não pode mais que insultar para se defender ou inverter o estigma para reivindicar", afirma a RSF.

Assinado por Jean-François Julliard, secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, e Benoît Hervieu, responsável da organização pelas Américas, o texto diz que "haverá Cuba depois de Castro, e o país renderá a homenagem que Orlando Zapata merece".

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