RSF chama de "absurda" censura de Israel em caso de jornalista detida em 2009

RSF chama de "absurda" censura de Israel em caso de jornalista detida em 2009

Atualizado em 06/04/2010 às 16:04, por Redação Portal IMPRENSA.

O caso da jornalista israelense Anat Kam, presa desde dezembro de 2009 por suposta traição e espionagem, recebe censura por parte dos veículos de Israel, fato considerado "absurdo" para a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

A entidade pede que a posição dos meios de comunicação do país seja investigada e que o governo não interfira na cobertura do caso. "Pedimos que se levante a proibição aos meios israelenses de tratar o caso de Anat Kam. A defesa da segurança nacional é um objetivo legítimo, mas a censura não pode ser utilizada para impedir prestar contas em caso de violação da lei", afirmou RSF em comunicado.

A imprensa israelense está proibida de divulgar informações sobre o caso da jornalista de 23 anos, pois Kam cumpriu o serviço militar obrigatório israelense, que dura 24 meses, e teria transmitido a um jornalista do jornal Haaretz documentos confidenciais que, de acordo com acusação, roubou quando servidora militar. O governo justifica tal medida por se tratar de um caso de segurança nacional.

As informações divulgadas pela jornalista tratavam de irregularidades na política de assassinatos seletivos que Israel praticava há anos contra milicianos, bem como dirigentes de milícias palestinas, segundo informa o portal Terra.

Utilizando tais documentos, o Haarertz denunciou que essa disposição judicial dos assassinatos seletivos fora desrespeitada na morte de três milicianos na Cisjordânia em 2007.

No entendimento da RSF, a decisão do governo israelense "ameaça incitar a numerosos jornalistas à auto censura" na ocasião de investigações relacionadas ao Exército, o que caracteriza um "reflexo potencialmente perigoso para a liberdade de expressão".

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