Revista produzida por população carcerária ganha continuidade
“Quem melhor do que o próprio encarcerado poderá indicar aquilo de que mais carece?”, resumia um editorial de 1944 do veículo A Estrela
Atualizado em 31/08/2016 às 13:08, por
Gabriela Ferigato.
“Quem melhor do que o próprio encarcerado poderá indicar aquilo de que mais carece?”, resumia um editorial de 1944 do veículo A Estrela , produzido na Penitenciária Central do Distrito Federal. Setenta anos depois, uma revista homônima foi lançada para buscar saber o que desejam os mais de 700 mil homens e mulheres que vivem atrás de muros prisionais.
A edição piloto, realizada em dezembro de 2014 em Itaúna (MG), agora ganha continuidade. A partir de curso de capacitação em jornalismo e fotografia, 25 detentos da Associação de Proteção ao Condenado (APAC) de São João Del Rei, no Campo das Vertentes mineiro, participam da próxima edição da revista, a ser lançada em 24 de setembro.
Crédito:A Estrela/Divulgação Comandada pela jornalista Natália Martino e pelo fotógrafo Leo Drumond, por meio de recursos do Rumos Itaú Cultural e apoio da Nikon, os participantes têm aulas teóricas, práticas monitoradas, discussão de pautas e tempo para produção de conteúdo dentro de unidades prisionais.
Natália acompanha a situação de presídios desde a faculdade. Quando conheceu Drumond, durante uma matéria sobre uma unidade prisional, os dois abraçaram de vez a causa. A Estrela faz parte do que reúne uma série de iniciativas voltadas à discussão de assuntos relacionados ao sistema carcerário.
De acordo com Natália, há todo o tipo de pauta na publicação, desde como é exercer o papel de pai estando preso, a proibição de cigarros dentro da unidade e a dificuldade com advogados. A APAC é considerada um presídio modelo, mas, antes de ingressarem na associação, passaram por outra unidade com condições ruins. Em uma das pautas, eles voltam ao local para entrevistar detentos de lá.
Drumond destaca que muitos se sentem incluídos pelo simples fato de manusear uma câmera. “Por mais que eu fale para enxergar como uma ferramenta, pensar no olhar, narrativa, há o fetiche pela câmera. Mesmo que depois não sigam [com a prática], existe esse sentimento de poder aprender, manusear algo tecnológico. Associam isso com o mundo de fora”.
Para a jornalista, de forma geral, a cobertura da grande imprensa sobre o sistema carcerário ainda é muito limitada a momentos críticos, como casos de rebelião, assassinatos ou grandes problemas - o que acaba apresentando um ponto de vista superficial.
Crédito:A Estrela/Divulgação.
“Não discutem as causas. Ou seja, a forma que foi construído nosso sistema, nossas mazelas, se funciona ou não. Não se discute o que existe em outros países, quem são essas pessoas que estão presas. Muitos imaginam que são vários 'monstros', mas grande parte dos crimes são leves. Não discutem outras forma de penalização e recuperação”, opina.
Mais quatro números da revista A Estrela já estão programados. Serão produzidos em outras unidades da APAC ao longo de um ano, com periodicidade trimestral. Além disso, os profissionais planejam realizar uma exposição itinerante ao final das publicações com imagens feitas pelos detentos.
A edição piloto, realizada em dezembro de 2014 em Itaúna (MG), agora ganha continuidade. A partir de curso de capacitação em jornalismo e fotografia, 25 detentos da Associação de Proteção ao Condenado (APAC) de São João Del Rei, no Campo das Vertentes mineiro, participam da próxima edição da revista, a ser lançada em 24 de setembro.
Crédito:A Estrela/Divulgação Comandada pela jornalista Natália Martino e pelo fotógrafo Leo Drumond, por meio de recursos do Rumos Itaú Cultural e apoio da Nikon, os participantes têm aulas teóricas, práticas monitoradas, discussão de pautas e tempo para produção de conteúdo dentro de unidades prisionais.
Natália acompanha a situação de presídios desde a faculdade. Quando conheceu Drumond, durante uma matéria sobre uma unidade prisional, os dois abraçaram de vez a causa. A Estrela faz parte do que reúne uma série de iniciativas voltadas à discussão de assuntos relacionados ao sistema carcerário.
De acordo com Natália, há todo o tipo de pauta na publicação, desde como é exercer o papel de pai estando preso, a proibição de cigarros dentro da unidade e a dificuldade com advogados. A APAC é considerada um presídio modelo, mas, antes de ingressarem na associação, passaram por outra unidade com condições ruins. Em uma das pautas, eles voltam ao local para entrevistar detentos de lá.
Drumond destaca que muitos se sentem incluídos pelo simples fato de manusear uma câmera. “Por mais que eu fale para enxergar como uma ferramenta, pensar no olhar, narrativa, há o fetiche pela câmera. Mesmo que depois não sigam [com a prática], existe esse sentimento de poder aprender, manusear algo tecnológico. Associam isso com o mundo de fora”.
Para a jornalista, de forma geral, a cobertura da grande imprensa sobre o sistema carcerário ainda é muito limitada a momentos críticos, como casos de rebelião, assassinatos ou grandes problemas - o que acaba apresentando um ponto de vista superficial.
Crédito:A Estrela/Divulgação.
“Não discutem as causas. Ou seja, a forma que foi construído nosso sistema, nossas mazelas, se funciona ou não. Não se discute o que existe em outros países, quem são essas pessoas que estão presas. Muitos imaginam que são vários 'monstros', mas grande parte dos crimes são leves. Não discutem outras forma de penalização e recuperação”, opina. Mais quatro números da revista A Estrela já estão programados. Serão produzidos em outras unidades da APAC ao longo de um ano, com periodicidade trimestral. Além disso, os profissionais planejam realizar uma exposição itinerante ao final das publicações com imagens feitas pelos detentos.





