Revista IMPRENSA, edição 213: Carta do Editor
Revista IMPRENSA, edição 213: Carta do Editor
O nosso 11 de setembro
No último mês de maio, a redação de IMPRENSA estava mergulhada na produção de um caderno especial em homenagem ao Dia da Imprensa, celebrado em 1º de junho, quando foi surpreendida com a onda de ataques, seguida de histeria coletiva, provocada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital, o PCC. Naquela tensa segunda-feira, as sirenes pareciam tocar mais alto aqui na esquina da Ipiranga com a São João. No dia seguinte, nem foi preciso uma reunião para informar que a pauta daquele mês havia sofrido uma guinada de 180º. Por ironia do destino, a produção dedicada ao Dia da Imprensa debruçou-se sobre o evento que foi considerado nas redações nativas o nosso 11 de setembro. Entre os principais protagonistas da crise, sem dúvida estava a imprensa. Nunca, na história da mídia brasileira, os jornalistas haviam sido submetidos a tamanha pressão e tiveram em suas mãos tanta responsabilidade.
Diante dos desafios da cobertura, da pressão pelo furo e da disputa ao vivo, minuto a minuto, a audiência cresceu na proporção das críticas. Se, por um lado, o Poder Público sob ataque não conseguiu manter um canal direto com imprensa, por outro, a imprensa, em muitos casos, se mostrou imatura e irresponsável diante da cobertura que lhe cabia.
Como não labutamos na trincheira do hardnews , nosso desafio editorial começou assim que a poeira baixou. O resultado dessa empreitada, que você acompanha a partir da página 24, foi uma pergunta na terceira pessoa do plural, feita para toda a tribo: "Somos terroristas?"
Depois de uma longa temporada como correspondente da Rede Globo na Europa, Caco Barcellos voltou para casa com uma idéia fixa: reunir um grupo de jovens perdigueiros e mostrar, em horário nobre, toda a liturgia da notícia. A emissora gostou da idéia e deu sinal verde. Nascia assim o quadro "Profissão: Repórter". A "tropa de elite" selecionada para a essa missão recebeu IMPRENSA nos estúdios da Globo, em São Paulo, para contar como tem sido a experiência de mostrar a pauta por trás da pauta.
No entanto, não faltaram elementos que nos lembrassem o Dia da Imprensa. Destacamos, nesta edição, os três mais celebrados jornalistas esportivos do país: Armando Nogueira, José Silvério e Orlando Duarte. Juntos, eles representam o papel do jornalismo em abstrair o povo de seu sofrimento por meio do futebol. Ao homenageá-los com perfis, homenageamos a todos os outros jornalistas do país que lutam por uma vida melhor. Uma a mais no nosso destino.






