Repórter do futuro é repórter social/Por Márcia Correia da Silva - Universidade Metodista
Repórter do futuro é repórter social/Por Márcia Correia da Silva - Universidade Metodista
Comunidade. Essa é a palavra para definir o jornalista da Folha de S. Paulo Gilberto Dimenstein. Tanto na área de educação quanto no jornalismo voltado para a cidade, o colunista enfatiza o fator do envolvimento com as pessoas de um local. " A gente vive em um meio fechado, as pessoas não têm a menor idéia do que acontece na periferia de São Paulo. A melhor coisa é a cidade, estupendamente rica de pautas".
Dimenstein desenvolve alguns projetos comunitários, entre eles, está o Aprendiz, que é um trabalho de integração entre escola e comunidade. Os jovens participantes modificam por meio de artes, a paisagem local e ainda mostram que têm respeito entre si. Dimenstein fica impressionado por exemplo, com a relação dos vários grupos para dividir o espaço em um muro usado para a arte do graffite.
O jornalismo social está ganhando espaço na mídia, porém ainda é muito pouco, segundo o jornalista. "Cobrir cidades exige que o repórter ande a pé, ouça as pessoas, converse com elas, tenha respeito por quem não tem assessor", diz Dimenstein. Pelo fato dos jornalistas não darem tanta atenção ao caderno de Cidades e mais ao de Política ou o de Economia (em que se vê pelo maior número páginas destinadas a esses assuntos), dados relevantes ao cotidiano paulista, por exemplo, não são noticiados. "Seremos vítimas de um jornalismo ultrapassado. A mídia não sabe cobrir assuntos como a queda em 20% da criminalidade ou o contraste de numa avenida (Paulista) na mesma semana reunir dois milhões de evangélicos e outros dois de gays", afirma Dimenstein.
O colunista da Folha de S. Paulo pretende montar um jornal de bairro. Seu projeto é montar um meio de comunicação diferente - mostrar a cidade, contar as várias histórias de pessoas. "Os jornais estão percebendo a importância disso. O jornalismo segue o gosto da comunidade", declara. Embora tenha declarado que já lutou para ser o jornalista que dá todos os furos e ser sempre o primeiro, ele hoje afirma que é importante ter um trabalho engajado com o aspecto social. Seu objetivo é "fazer um trabalho que tenha compromisso, que tenha uma preocupação com a comunidade".
Quanto aos problemas do Brasil, o jornalista diz que o país não tem prioridades. Segundo ele, a educação é uma prioridade. "Do zero aos quinze anos tem que dar educação. Hoje a universidade é para poucos. A seleção pelo vestibular está errada, o que me incomoda é que o vestibular acaba moldando o ensino médio".
Em relação às cotas oferecidas pelas universidades para alunos negros e carentes, Dimenstein é a favor. "Desde que você ajude a resgatar coisas que o aluno não aprendeu", argumenta. Uma proposta que considera importante é a da USP (Universidade de São Paulo), a qual os melhores alunos do ensino médio das escolas públicas receberão reforço para entrar na universidade. Para o jornalista, dessa forma provoca uma melhora nas escolas - os alunos podem se esforçar mais.
Dimenstein não aceita totalmente a idéia da internet no jornalismo. "A sensação que tenho é a de que o jornal está se repetindo, estamos perdidos, o leitor está se fragmentando nos orkuts, não está progredindo. A tendência nova talvez seja esta: se fragmentar.
Apaixonado por São Paulo, Dimenstein declara seu amor à cidade. Ele anda pelo centro da cidade todos os domingos e observa que "a recuperação do centro é um trabalho notável". Ele costuma fazer o passeio seguindo a rota dos museus, pateo do colégio, avenida Paulista, Sumaré, Água Branca, Minhocão e assim anda e descobre histórias para incluir em suas colunas na Folha de S. Paulo. "É preciso andar na rua, tem que sentir o coração das pessoas, conversar com elas", diz Gilberto Dimenstein.






