Repórter desabona PF para conseguir entrevista com traficante
Repórter desabona PF para conseguir entrevista com traficante
O jornal Folha de S.Paulo divulgou, no último domingo (12), um importante furo de reportagem sobre a captura do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Em matéria assinada pelo jornalista Mário César Carvalho, a reportagem do jornal publicou uma entrevista conseguida, por escrito, com o traficante mais procurado do mundo, preso na Grande São Paulo, na última terça-feira (07).
Reproduzida como imagem na reportagem do caderno Cotidiano da Folha , o jornal divulgou a carta enviada por Mário César a Ramirez, por intermédio de seu advogado, Sérgio Alambert. Apesar das letras miúdas, é possível ler o que diz o repórter sobre a credibilidade das informações divulgadas pela Polícia Federal. "Sabemos, por tradição, que a polícia (qualquer polícia) não é a melhor fonte de informações - ela manipula dados, inventa fatos, sempre com a intenção de provar que suas acusações são corretas" afirma Mário na carta, depois de se apresentar como repórter do "maior jornal brasileiro" e garantir que a Folha de S.Paulo tem a tradição de "permitir que acusados exponham seus pontos de vista".
Entrevistado pela equipe do Portal IMPRENSA, Mário César Carvalho afirma que não sabia que a carta seria publicada, mas garante que não vê nenhum problema na veiculação do material. "É precário acreditar apenas na polícia porque essa é uma fonte comprometida, que busca provar suas acusações. O princípio básico de um jornalismo sério e de qualidade é a apuração de todos os fatos e não se deve nunca acreditar em apenas uma fonte, é preciso checar toda e qualquer informação", explica.
Mário afirma ainda que, com o desenrolar da cobertura deste caso, sua desconfiança com relação ao comportamento da polícia será confirmada. "Vocês vão acompanhar e perceber que havia gente da polícia que ajudava o Abadía", antecipa. E completa: "Até mesmo o melhor serviço policial, em qualquer lugar do mundo, deve ser questionado pelo jornalista. Esse é a primeira lição da profissão: ouvir sempre todos os lados".
Questionado sobre o possível aspecto anti-ético de suas declarações, o jornalista afirma que estaria falhando com a ética jornalística se "simplesmente acreditasse nas informações da polícia".
Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Polícia Federal confirma que a entrevista ocorreu através do advogado de Abadia, que levou as questões do jornalista ao preso no momento em que estavam se comunicando no parlatório, e que, portanto, "o fato deu-se sem o conhecimento da PF e já foi comunicado ao Juiz do caso".






