Repórter da Folha é agredido por militantes de prefeito reeleito em Porto Alegre
Repórter da Folha é agredido por militantes de prefeito reeleito em Porto Alegre
Repórter da Folha é agredido por militantes de prefeito reeleito em Porto Alegre
No último domingo (26), o jornalista Graciliano Rocha, correspondente do jornal Folha de S.Paulo em Porto Alegre (RS), foi ameaçado e agredido por um militante em frente ao Comitê Central da campanha de José Fogaça (PMDB), prefeito reeleito da cidade.
Quando chegava à entrevista, um militante ameaçou Rocha - dizendo que ele não era bem-vindo ao local, razão da reportagem "Prefeitura dá bônus-moradia a moradores" - publicada pela Folha no sábado (25) - que denunciava a distribuição de bônus para a compra de casas a moradores afetados por um obra na periferia da cidade a menos de 48 horas da votação.
Ele também é autor de uma reportagem sobre a suspeita de enriquecimento ilícito do deputado estadual Fernando Záchia (PMDB) - coordenador político da campanha de Fogaça. A coletiva foi cancelada e, na saída, o militante que havia ameaçado o repórter e mais dois correligionários o agrediram fisicamente com um soco no rosto e com pontapés, informou a Agência Folha.
A ocorrência foi registrada no 10º DP e o jornalista foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) fazer exame de corpo de delito. Segundo o jornal Zero Hora , Clóvis Magalhães, coordenador da campanha de Fogaça, afirmou que "as questões implicadas devem ser pessoais e não da campanha. Eu lamento. O repórter deve tomar as medidas cabíveis".
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) divulgou uma nota considerando o ocorrido "um atentado à liberdade de expressão e à democracia brasileira". Para a entidade, "atos como o praticado pelos militantes da campanha de Fogaça prejudicam não só a liberdade de imprensa, mas também direitos básicos dos cidadãos".
No comunicado, a Abraji pede que as autoridades "punam os responsáveis pela a agressão ao jornalista e investiguem se as irregularidades apontadas pela reportagem da Folha comprometem os resultados da eleição em Porto Alegre".
O jornalista agredeceu publicamente, na lista de discussão da Abraji, a "solidariedade expressada pelos colegas". Ele só mostrou preocupação com a supervalorização do incidente: "Não tenho elementos para achar (pelo menos até agora) que se trate de algo além de excesso de testosterona de fim de campanha eleitoral. Uns vagabundos lêem, não gostam e depois resolvem ir no braço. Acidente de trabalho, todo mundo tá sujeito", escreveu Rocha.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul também divulgou uma nota, explicando que "este tipo de ocorrência fere a todos os profissionais em exercício no Rio Grande do Sul, pois tem o objetivo de cercear a liberdade de informar". Para a entidade, "a discordância deve ser resolvida por meio do diálogo e não por agressão física".
O Portal IMPRENSA tentou entrar em contato com o delegado Abílio Ferreira, do 10º DP, de Porto Alegre e com o jornalista Marcelo Villasbôas, coordenador de comunicação da campanha de Fogaça, mas não obteve retorno.
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