Repórter da Folha e jornalista chinês estão no topo de lista internacional de ataques à imprensa

Entidade internacional que atua em defesa da liberdade de imprensa e contra a perseguição a jornalistas, a One Free Press Coalition colocou

Atualizado em 03/03/2020 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Patrícia Campos Mello, repórter da Folha de São Paulo alvo de recente onda de ataques machistas por apoiadores do governo Bolsonaro, na terceira posição de uma lista que reúne os dez principais casos de ataques a profissionais da imprensa no mundo.
No levantamento da One Free Press Coalition (organização que reúne veículos como The Washington Post, Agencia EFE e Deutsche Welle), Patrícia aparece logo após o jornalista chinês Chen Qiushi (desaparecido desde 6 de fevereiro, quando começou a reportar sobre o coronavírus) e o jornalista do Tajiquistão Daler Sharifov (que está em prisão preventiva por artigos publicados entre 2013 e 2019.
Depoimento suspeito
A jornalista da Folha virou alvo de ofensas nas redes sociais após um depoimento suspeito dado à CPMI das Fake News por Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma empresa de disparos de mensagens em massa por WhatsApp.
Ele afirmou aos parlamentares que, durante a apuração da reportagem, Patrícia se insinuou sexualmente em troca de informações. Logo após o depoimento de Nascimento, a Folha publicou uma série de reportagens mostrando que Hans mentiu em seu depoimento. Crédito:Reprodução Twitter Depoimento suspeito à CPMI das Fake News impulsionou ataques a Campos Mello e foi criticado por diversas entidades de defesa da liberdade de expressão e até por Edison Lanza, relator para liberdade de imprensa da OEA
A despeito desse fato, no festival de ofensas que costuma promover no cercadinho do Alvorada, o próprio Bolsonaro insultou a jornalista com base no depoimento suspeito, afirmando que Patrícia queria "dar o furo a qualquer preço" contra ele.
A ira do governo contra a jornalista se deve a reportagens publicadas no segundo turno das eleições de 2018, quando Bolsonaro disputou a presidência com Fernando Haddad.
Baseada em documentos da Justiça do Trabalho e em relatos de Nascimento, a investigação mostrou que uma rede de empresas recorreu a uso fraudulento de nome e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.