Repórter da Eritréia preso desde 2001 é eleito "jornalista do ano" pela ONG RSF

Repórter da Eritréia preso desde 2001 é eleito "jornalista do ano" pela ONG RSF

Atualizado em 06/12/2007 às 15:12, por Redação Portal IMPRENSA.

O repórter Seyoum Tsehaye, da Eritréia, preso em seu país desde 2001, foi eleito "jornalista do ano" pelo 16º Prêmio Repórteres Sem Fronteiras. A emissora Democratic Voice of Burma , de Mianmar - antiga Birmânia - foi escolhida como "meio de comunicação do ano". O anúncio foi feito na última quarta-feira (5).

A Organização Internacional RSF premiou Tsehaye, de 54 anos, por sua coragem ao longo da trajetória profissional no mais novo país do africano. Antigo diretor da rádio e televisão nacional, o jornalista renunciou ao cargo no final dos anos 1990 em resposta à "virada autoritária" do presidente Isaias Afewerki e passou para a imprensa opositora.

Em setembro de 2001, Tsehaye foi preso durante uma série de operações das forças de segurança contra figuras políticas e jornalistas críticos à autoridade do chefe de Estado. Atualmente, "ninguém sabe onde está preso, nunca teve direito a uma visita nem a um advogado e não foi acusado nem compareceu perante um tribunal", criticou a RSF, assegurando que o estado de saúde do jornalista é "preocupante".

A entidade reconheceu ainda o trabalho do Observatório da Liberdade de Imprensa do Iraque na categoria "defensor da liberdade de imprensa", na qual também concorria a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

Na edição deste ano, o júri outorgou em Paris um prêmio especial "China" a um casal de militantes dos direitos humanos por sua campanha de denúncia sobre as conseqüências "nefastas" dos preparativos dos Jogos Olímpicos de Pequim para a população.

Na categoria de "ciberdissidente", foi escolhido o blogueiro egípcio Kareem Amre. O rapaz de 23 anos foi condenado a quatro anos de prisão por ter criticado em seu blog o presidente do país, Hosni Mubarak, e denunciado o funcionamento da universidade sunita Al-Azhar, onde estudava Direito.

Já a "Democratic Voice of Burma", fundada em 1992 e baseada na Noruega, foi premiada por ter sido "um dos poucos órgãos de imprensa" a ter conseguido enviar imagens da repressão das forças do regime birmanês contra as manifestações de setembro. Com informações da Agência EFE.

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