Relatório da SIP aborda o panorama da liberdade de imprensa nas Américas no último semestre

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) divulgou seu levantamento da situação da liberdade de imprensa no último semestre em cada país das Américas, e ressaltou o trabalho da mídia e dos jornalistas para registrar as medidas tomadas pelos governos para enfrentar a pandemia da COVID-19.

Atualizado em 09/04/2020 às 17:04, por Redação Portal IMPRENSA.


“A cobertura da pandemia acentuou as tensões nas relações entre a mídia e o poder político, sem distinção de ideologias, seja por controvérsias em coletivas de imprensa, falta de informação oficial ou por acusações de funcionários do governo contra opiniões e matérias críticas, como foi o caso dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump; do Brasil, Jair Bolsonaro; do México, Andrés Manuel López Obrador; de El Salvador, Nayib Bukele, e da Venezuela, Nicolás Maduro”, comentam Christopher Barnes, presidente da SIP, e Roberto Rock, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação.
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O relatório destaca a violência contra jornalistas. Entre outubro de 2019 e março de 2020, nove profissionais foram assassinados na Colômbia, Guatemala, Haiti, Honduras, México e Paraguai, e uma jornalista continua desaparecida no Peru.

Os jornalistas e os meios de comunicação também foram alvo de ataques cibernéticos pelas autoridades. Em Cuba e na Venezuela, houve casos de bloqueios, hacking e roubos de identidade.
Na Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Haiti, os protestos sociais que afetaram estes países nos últimos meses provocaram ataques diretos às instalações e aos equipamentos dos meios de comunicação. “Os ataques foram realizados por grupos sociais que responsabilizavam a mídia pela situação política, econômica e social nos seus países”, afirmam Barnes e Rock.
A situação no Brasil
Segundo o relatório da SIP, os últimos seis meses foram marcados por um crescente aumento dos ataques virtuais aos jornalistas e empresas jornalísticas, “com lamentável consolidação de um quadro contrário à liberdade de imprensa nas redes sociais que vem se formando nos últimos anos”. Levantamento feito pela empresa Bites, de monitoramento de dados digitais, mostra que em 2019 a mídia profissional sofreu quase 11 mil ataques diários pelas redes sociais, o que representa sete agressões por minuto.
Ao longo de todo ano de 2019, a soma dos ataques resultou em cerca de quatro milhões de postagens negativas contra a imprensa. E o relatório afirma que a atuação do presidente Jair Bolsonaro e seus seguidores se destaca nessa ofensiva. “O chefe do governo trata como inimigos a serem destruídos os veículos de comunicação que publicam reportagens ou análises negativas de sua administração”.
Entre os fatos relevantes, o relatório lembra que em 6 de março, 17 entidades da sociedade civil brasileira denunciaram o governo Bolsonaro na 175ª audiência temática da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizada no Haiti, por violações sistemáticas à liberdade de expressão no país, ataques à imprensa, censura às liberdades artística e cultural, sufocamento dos espaços de participação social e acesso à informação pública.
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