Referência em jornalismo ambiental, Washington Novaes morre aos 86 anos

Washington Novaes morreu na noite de segunda-feira (24), aos 86 anos, após passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor no intestino

Atualizado em 25/08/2020 às 12:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Referência em jornalismo ambiental, o jornalista .
O jornalista paulista que vivia em Goiânia, já passou por importantes redações do país, trabalhou em veículos como Veja, O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, Última Hora, Visão, Correio da Manhã, O Jornal, Gazeta Mercantil e outros. Washington também foi colunista da Revista e Portal Imprensa.
Em 1977, foi para a Rede Globo e contribuiu para a reestruturação do "Globo Repórter". Foi aí que começou sua preocupação com a questão ambiental. Em 1980, realizou, para o mesmo programa, o documentário "Amazonas: a Pátria da Água". Nesta mesma época, viajou ao Xingu pela primeira vez.
“Que a gente possa se lembrar dele como essa referência, tanto como pai quanto como jornalista: absurdamente generoso e indignado. E que o exemplo dele nos ajude a superar essa tragédia política, sanitária, ambiental e social que estamos vivendo”, escreveu o filho do jornalista, o cineasta Pedro Novaes, ao G1.
De acordo com o filho, Washington descobriu o tumor em março deste ano. Por isso, foi operado na última quinta-feira (20) e estava na UTI desde então.

No domingo (23), o quadro dele se agravou devido a uma infecção decorrente da cirurgia e a um problema no fígado.

Crédito:Leonardo Rozário/IMPRENSA
Referência ambiental Washington Luís Novaes foi editor do Globo Repórter e do Jornal Nacional. Ele foi um dos primeiros jornalistas do país a se dedicar a questões ambientais e indígenas, tendo produzido documentários e lançado livros sobre os temas.
Nesse setor, recebeu diversos prêmios, como o Esso especial de Ecologia e Meio Ambiente (1992) e o Professor Azevedo Netto (2004).
Já em 1981, ele dirigiu o documentário “Amazonas, a pátria da água”, exibido pelo "Globo Repórter". O programa ganhou medalha de prata no Festival de Cinema e Televisão de Nova York, nos Estados Unidos, em 1982.

Ao longo da década de 1980, Washington viveu em completa imersão no universo dos povos indígenas do Xingu. A experiência gerou a série de não-ficção "Xingu, a Terra Mágica", além do diário "Xingu, uma Flecha no Coração".

Mais de vinte anos depois, ele retornou para o local para um novo projeto. Em “Xingu, a Terra Ameaçada”, ele compara os dois tempos, mostrando a pressão do desenvolvimento econômico, além das mudanças culturais e ambientais. As duas obras renderam prêmios internacionais ao diretor e documentarista.

O jornalista foi responsável pela direção e roteiro da série documental “O desafio do lixo”, que foi ao ar pela TV Cultura em 2001.
Novaes também é autor dos livros "A quem pertence a informação", escrito em 1989, e "A década do impasse: da Rio-92 à Rio+10", de 2002. Ao longo da carreira, Washington publicou mais de dez livros, boa parte deles focada no meio ambiente e povos indígenas.
Em 2004, o jornalista foi o vencedor da categoria Meio Ambiente do Prêmio Unesco. Na ocasião, ele foi homenageado por seu trabalho de mais de 30 anos de intensa divulgação de ideias e alertas aos impactos da degradação ambiental.