“Redes sociais são o papo de boteco amplificado”, diz o jornalista André Forastieri

Participantes debateram a opinião na era do anonimato digital

Atualizado em 18/11/2014 às 16:11, por Gabriela Ferigato.

O jornalista André Forastieri (R7) afirma que as redes sociais detestam tudo o que é “bege” ou morno, dessa forma a internet convida as pessoas a serem mais exageradas.
Crédito: Jornalista participou do debate "a opinião na era do anonimato digital" Forastieri participou do “Painel Diálogos IV – A opinião na era do anonimato digital”, realizado nesta terça-feira (18) durante a 3ª edição do mídia.JOR, realizado por IMPRENSA, que também contou com a participação de Lobão (músico e compositor) e Matheus Pichonelli (Yahoo! Brasil).

De acordo com ele, as redes sociais são o papo de boteco amplificado. “A internet não gosta do morno, mas às vezes o morno não é ruim. Não é uma notícia quente porque foi pensada, é mais reflexiva. Mas acho que tudo isso faz parte da nossa zona de crescimento. Nossa democracia é muito jovem e frágil”.

Durante as eleições deste ano, muitos comentários de intolerância foram visto no ambiente digital. “Eu vi um texto recente de um historiador que dizia o seguinte: essa radicalização só existe porque os candidatos são iguais. Quando são diferentes se discute as diferenças, quando propõem 99% a mesma coisa, a única maneira de trazer leitores é eletrizar indo para o lado da agressividade”.

Blogueiro há muitos anos, o jornalista destaca que quanto mais reflexivo e ambíguo a página for, menos calorosos os comentários serão. Porém, de acordo com o jornalista, dentro desse processo existe o poder do compartilhamento.

“Quando você está falando com seu leitor é uma coisa. Ele te conhece, sabe o que você gosta e desgosta. Com o compartilhamento, você chega em uma pessoa que não sabe quem você é ou que nunca leu um texto seu. A matéria chega nele e ele se posiciona contrário sem saber do que se trata”

Anonimato como fonte de notícia

Nos Estados Unidos, o site Whispers gerou um debate sobre o uso de informações anônimas para alimentar a pauta de notícias da imprensa. Diariamente, ele seleciona o material mais polêmico que recebe e manda para jornais, revistas, emissoras etc.

Para Forastieri, jornalismo não é mexerico, tem que existir apuração. “Quem sabe isso pode servir para alguém ir atrás de uma história, que no futuro pode se consolidar. As regras dos veículos são diferentes. Alguns aceitam fonte anônima, outras só trabalham fonte em on ”. Sobre o mídia.JOR
Seminário de comunicação que discute o presente e o futuroda imprensa no país e no mundo, atualizando os paradigmas da comunicação à luzd o novo cenário social, tecnológico, político e econômico. É uma referência para profissionais das redações e das assessorias de comunicação, pensadores e pesquisadores de jornalismo, estudantes e professores, e para a sociedade civil que se interessa por jornalismo, comunicação e novas tecnologias. As inscrições estão abertas e as vagas são limitadas

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