Record: Escola de perdigueiros
Record: Escola de perdigueiros
Investimento no jornalismo investigativo rende mais um furo de reportagem para a Record. Desta vez, um traficante de mulheres, preso por cinco anos em Belém (PA), foi identificado na porta de uma boate no Suriname. A receita: mistura de juventude com experiência.
Boas idéias, talento e muita disposição são fundamentais para que um novo repórter tenha destaque. A nova fase do jornalismo da Record prova esta tese, pois tem sido responsável pela revelação de novos talentos no jornalismo investigativo como Leandro Cipoloni, de 28 anos, e Gustavo Costa, de 26, ambos do programa "Domingo Espetacular".
O caso de Gustavo é típico de um talento que vem sendo cultivado pela escola de jornalismo da Record. Na emissora há quatro anos, o repórter começou com o estagiário do programa "Cidade Alerta", no qual atuava na escuta e apuração. "Comecei fazendo triagem e saí para atuar na produção de um programa chamado 'Direitos Humanos', que acabou não dando certo", explica.
Assim que se graduou em 2002, Gustavo foi efetivado e passou a integrar a equipe do "Repórter Record". Com uma matéria especial neste programa, denunciando fraudes em seguros de caminhões, no estado de Minas Gerais, o repórter chegou as finais do Prêmio Esso e do Prêmio Embratel de Jornalismo no ano passado. "Mesmo sem ter vencido, levar a matéria até a final já foi extremamente importante", garante o jornalista.
Assim como o repórter global Tim Lopes, morto na apuração de uma matéria no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, Gustavo também é um repórter sem rosto, que vem se especializando cada vez mais em matérias investigativas. "Por oito meses, trabalhei com Paulo Henrique Amorim, no "Tudo A Ver", também fazendo denúncias", completa Gustavo.
De acordo com ele, a nova fase da Record e a revelação pela emissora de novos talentos do jornalismo, se deve à política de incentivar grandes reportagens. "Desde que o Douglas Tavolaro assumiu a direção de jornalismo da emissora, os bons trabalhos só têm aumentando", completa.
Escravas brancas do Suriname
No início do mês passado, o "Domingo Espetacular" exibiu uma matéria do jornalista Gustavo Costa, na qual eram denunciadas as rotas de tráfico de mulheres para o Suriname e o cárcere privado no qual elas eram mantidas no país. "Tanto Gustavo, quanto o cinegrafista, Steve Ribeiro, fizeram exatamente o mesmo caminho das mulheres levadas. Parte pelo meio do mato, de barco e avião", salienta Paulo Nicolau, diretor do programa.
A dupla desembarcou com uma listagem completa das boates que mais praticavam o tráfico, prostituição e cárcere privado. Assim, ao entrarem em uma das boates, a micro-câmera, carregada por Ribeiro foi encontrada. "Alegamos que se tratava de uma máquina fotográfica. Mesmo assim, a câmera foi quebrada e o Steve foi ameaçado e quase foi agredido", lembra o repórter. Da confusão, um resultado surpreendente: foi identificado Henk Kunati, traficante de mulheres, que esteve preso no Brasil por cinco anos. O Ministério Público de Belém pediu cópia das fitas, para que possa investigar novamente o criminoso.
Para Paulo Nicolau, ações da Record, visando apoiar grandes matérias, além de incentivar a troca de experiências entre repórteres tarimbados e os mais jovens, cria não só grandes matérias, mas dá suporte a uma nova escola de jornalistas. "Fico muito feliz por descobrir novos talentos do jornalismo. Antes, a Globo era a grande formadora de talentos. Hoje, a Record forma sua própria escola", finaliza.






