Radialista há 50 anos, Valdemar Camata cria em Rondônia o Museu do Rádio
Radialista há 50 anos, Valdemar Camata cria em Rondônia o Museu do Rádio
Há 50 anos trabalhando como radialista, o capixaba Valdemar Camata, pioneiro de rádio na cidade rondonense de Ji-Paraná, resolveu dar mais uma contribuição para a comunicação, e está juntando objetos para criar o Museu do Rádio.
Ao Portal IMPRENSA, ele informou que teve a ideia de fazer o museu após um ouvinte que consertava aparelhos de rádio lhe mostrar um acervo com 30 ou 40 peças antigas. "Eram peças fantásticas, não podiam ser jogadas fora, estavam todas funcionando", diz Camata. "Além disso, com 50 anos de profissão eu já sou mais ou menos um museu. Se procurar pelo Brasil, existem poucos trabalhando há tanto tempo".
Irmão do senador Gerson Camata (PMDB-ES), o radialista começou em rádio-escuta aos 14 anos, em 1958, na Rádio Difusora de Colatina, na cidade de Colatina (ES). Há 30 anos, mudou-se para Ji-Paraná, em Rondônia, onde ajudou a fundar a primeira emissora do interior do estado, a Rádio Alvorada.
Com passagens pela Clube Cidade FM e pela Rádio Ji-Paraná (AM), até quando ocupou o cargo de prefeito ele continuou trabalhando como radialista. "Em 1982, fui eleito vice-prefeito, mas assumi de 1985 a 1986 porque o prefeito foi afastado. Mas todo dia, às 12h, fechava a Prefeitura e ia apresentar meu programa", conta Camata, que não gostou de ocupar um cargo público. "Jornalismo anda em linha reta e política em linha torta", diz.
Para concretizar a ideia do museu, ele pretende falar com a administração de Ji-Paraná e pleitear um espaço no Museu Marechal Rondon, dedicado à comunicação. No entanto, mesmo com o novo projeto não pretende deixar seu programa, o "Trabuco", apresentado no Sistema Itapirema de Comunicação.
"Meu programa tem esse nome porque começou com um formato policial. Depois, fui mudando para algo mais genérico, porque policial explora muito o pobre. Minha atração atual é uma homenagem ao radialista Vicente Leporace, de São Paulo. Quando comecei na profissão, ele tinha um programa na rádio Bandeirantes em que lia os jornais da manhã e fazia a interpretação das notícias. Atualmente, eu faço um trabalho similar".
E com 50 anos de experiência, o que mudou no rádio? "Quando comecei, os profissionais da área eram quem gostava muito do assunto, e os donos dos veículos também eram dedicados. Hoje, as grandes estruturas de comunicação são propriedades de políticos, que colocam pessoas para falar bem deles e de seus amigos", conclui Camata.
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