"Quem assiste vídeos pela web está mais propenso a receber a informação em pílulas", diz Felipe Machado

"Quem assiste vídeos pela web está mais propenso a receber a informação em pílulas", diz Felipe Machado

Atualizado em 26/01/2009 às 20:01, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

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Foram muitos os correspondentes, enviados especiais, freelancers e jornalistas que participaram da cobertura da Olimpíada de Pequim 2008, entre eles, estava Felipe Machado, atual editor de Multimídia do Estadão e apresentador da TV Estadão, responsável pela produção de 25 matérias em vídeo para a TV Estadão e a atualização diária de um blog. Além disso, cabia a Machado a produção de matérias para o jornal e comentários na Rádio Eldorado. Como se não bastasse, o jornalista aproveitou a onda multimídia e publicou o livro "Ping Pong-Chinês por um mês", retratando suas experiências do outro lado do mundo.

O jornalista falou ao Portal IMPRENSA sobre as experiências na China, o trabalho dos repórteres correspondentes e a evolução da comunicação "multimídia":

Divulgação
Felipe Machado
IMPRENSA - Você acredita que os veículos brasileiros, principalmente os que começam a utilizar-se do formato "multimídia" se interessam em manter correspondentes na China?
Felipe Machado
- O Estadão mantém uma correspondente em Pequim, Cláudia Trevisan, mas ela produz material principalmente para o jornal O Estado de S. Paulo . Acredito que isso ocorra com a maioria dos correspondentes tradicionais, até por uma questão técnica: é complicado e muito trabalhoso filmar, editar, gravar, enfim, fazer matérias completas em formato multimídia e publicá-las. Eu levei um tempo para aprender a fazer todo o processo, não é tão simples para os jornalistas que estão acostumados a trabalhar de maneira convencional, mas acredito que não apenas os correspondentes, mas também repórteres e enviados especiais estão começando a se interessar por esses novos formatos. Mostrar cenas de uma guerra ou de um evento internacional importante tem um grande apelo em vídeo e contam com informações mais completas do que apenas contar a história com um texto.

IMPRENSA - Além da China, do ponto de vista de uma mudança no cenário mundial, quais outros lugares você acredita que pode despertar o interesse dos veículos brasileiros?
Machado
- Acho que correspondentes de grandes veículos são necessários em cidades chaves como Nova York ou Washington, Paris ou Londres, isso depende do alcance global do veículo. Mas acho que vale a pena ter correspondentes 'flutuantes', profissionais que podem deslocar-se com agilidade para vários lugares estratégicos em determinadas regiões. Foi o caso de Pequim durante a Olimpíada e será o da África do Sul durante a copa de 2010.

IMPRENSA - Em relação ao Brasil, ele pode ser considerado um país que num futuro breve despertará o interesse e a necessidade de mais correspondentes de veículos estrangeiros?
Machado
- O Brasil desperta interesse internacional não apenas porque está começando a se tornar um "player" econômico, mas porque culturalmente é muito rico. Não digo isso apenas como brasileiro, mas como alguém que viaja bastante. Sempre que menciono minha origem, há uma simpatia muito grande e, infelizmente, uma falta de informação real que remete muito ao estereótipo. Ter correspondentes aqui ajudaria nessa compreensão sobre o Brasil, sobre o povo brasileiro. Infelizmente eu encontro também muitos jornalistas que vêm ao país, passam poucos dias e já querem escrever matérias definitivas. "O Brasil é assim, o Brasil é assado". Não é assim: tem que morar, conhecer, descobrir. A vida do correspondente é muito mais rica que a do jornalista que visita apenas superficialmente um local.

IMPRENSA - Como estamos em relação à cobertura multimídia de eventos acontecidos ao redor do mundo? Qual a evolução deste novo formato de comunicação?
Machado
- Estamos começando, o formato tem tudo para se tornar popular, principalmente porque já existe uma cultura do vídeo, graças obviamente à popularidade da TV. Ainda há muita discussão sobre o formato em si e qual é a melhor maneira de apresentar vídeos na internet. O YouTube criou um padrão de vídeos sob demanda; há outros que defendem o formato ao vivo, mais parecido com a TV tradicional. O futuro muito próximo vai definir quem está certo, o importante é entender que produzir vídeos para a internet não é a mesma coisa que produzir programas para a TV porque há muita diferença na relação dos públicos com essas duas mídias. O público que assiste vídeos pela internet está mais propenso a receber a informação em pílulas, muitas vezes durante o dia, no trabalho Quando o computador e a TV se fundirem na casa das pessoas, acho que aí teremos uma definição importante em relação ao formato.