Propagadores de desinformação têm motivos de sobra para comemorar função "Comunidades" do WhatsApp
No dia 26 de janeiro o WhatsApp começou a liberar no Brasil a função “Comunidades”. Lançada globalmente em novembro, a novidade teve sua aterrissagem em solo nacional adiada devido às eleições de 2022.
Atualizado em 31/01/2023 às 10:01, por
Redação Portal IMPRENSA.
O temor era de que o novo recurso pudesse potencializar o fluxo de desinformação online, influenciando o resultado do pleito democrático.
A tese não carece, absolutamente, de fundamento. Afinal, a função "Comunidades" permite que os usuários organizem até 50 grupos e mandem mensagens para até cinco mil pessoas. Trata-se de uma guinada brusca em relação ao cenário anterior. Até então era possível atingir no máximo 256 usuários simultaneamente. Crédito: Reprodução TechTudo/Fernando Braga Ciente dos riscos, no ano passado, em um ofício enviado ao WhatsApp, o Ministério Público Federal (MPF) destacou que o novo recurso aumenta a possibilidade de disseminação de mensagens enganosas. Em razão das eleições, o órgão solicitou o adiamento de sua implementação. Felizmente a empresa atendeu o pedido.
Não é preciso ser especialista para deduzir que grupos gigantescos de WhatsApp aceleram a viralização de mensagens falsas. Ante o uso de criptografia, que torna o rastreamento de conteúdos mais difícil na plataforma, os riscos são ainda maiores.
Neste aspecto, por serem abertas, redes como Telegram, Facebook e Twitter em tese oferecem mais recursos para impedir a propagação de mensagens enganosas. No novo recurso do WhatsApp, porém, a possibilidade de os usuários participarem de diferentes grupos em comum e o auxílio de ferramentas automatizadas de disparo de mensagens despontam como outros dois importantes facilitadores do trabalho dos propagadores de desinformação.
A chegada da novidade é ainda mais preocupante quando se leva em consideração o contexto político dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Na ocasião, comunidades de trocas de mensagens no aplicativo Telegram foram fundamentais para a organização e planejamento da invasão e vandalismo às sedes dos três Poderes.
As autoridades, neste caso, não encontraram grandes dificuldades para identificar na plataforma os principais organizadores da tentativa de golpe de estado. Mas será que, com a criptografia e os agora liberados grupos gigantescos do WhatsApp, a polícia teria a mesma facilidade para identificar nossos nem sempre diletantes golpistas? Eis uma pergunta que as instituições precisam responder com celeridade.
A tese não carece, absolutamente, de fundamento. Afinal, a função "Comunidades" permite que os usuários organizem até 50 grupos e mandem mensagens para até cinco mil pessoas. Trata-se de uma guinada brusca em relação ao cenário anterior. Até então era possível atingir no máximo 256 usuários simultaneamente. Crédito: Reprodução TechTudo/Fernando Braga Ciente dos riscos, no ano passado, em um ofício enviado ao WhatsApp, o Ministério Público Federal (MPF) destacou que o novo recurso aumenta a possibilidade de disseminação de mensagens enganosas. Em razão das eleições, o órgão solicitou o adiamento de sua implementação. Felizmente a empresa atendeu o pedido.
Não é preciso ser especialista para deduzir que grupos gigantescos de WhatsApp aceleram a viralização de mensagens falsas. Ante o uso de criptografia, que torna o rastreamento de conteúdos mais difícil na plataforma, os riscos são ainda maiores.
Neste aspecto, por serem abertas, redes como Telegram, Facebook e Twitter em tese oferecem mais recursos para impedir a propagação de mensagens enganosas. No novo recurso do WhatsApp, porém, a possibilidade de os usuários participarem de diferentes grupos em comum e o auxílio de ferramentas automatizadas de disparo de mensagens despontam como outros dois importantes facilitadores do trabalho dos propagadores de desinformação.
A chegada da novidade é ainda mais preocupante quando se leva em consideração o contexto político dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Na ocasião, comunidades de trocas de mensagens no aplicativo Telegram foram fundamentais para a organização e planejamento da invasão e vandalismo às sedes dos três Poderes.
As autoridades, neste caso, não encontraram grandes dificuldades para identificar na plataforma os principais organizadores da tentativa de golpe de estado. Mas será que, com a criptografia e os agora liberados grupos gigantescos do WhatsApp, a polícia teria a mesma facilidade para identificar nossos nem sempre diletantes golpistas? Eis uma pergunta que as instituições precisam responder com celeridade.





